Após anos de paralisação, Secretaria da Infraestrutura se prepara para assumir responsabilidades pela limpeza, iluminação, segurança e proteção das fundações, antes a cargo da Secretaria de Turismo
O projeto completa dez anos em 2019, e as obras se arrastam desde 2012, mas o Acquario Ceará ainda continua com as intervenções paralisadas. O novo episódio da novela diz respeito à mudança do fiel depositário, antes a cargo da Secretaria do Turismo (Setur), e agora da Secretaria da Infraestrutura (Seinfra). No linguajar jurídico, o termo designa um indivíduo a quem a Justiça confia um bem durante um processo. É responsabilidade do fiel depositário zelar pela conservação do bem.
Em nota, a Seinfra disse apenas estar se preparando para assumir a guarda do canteiro de obras do Acquario, “o que inclui a limpeza, iluminação, segurança e proteção catódica (processo permanente que protege fundações e estacas)”. O secretário do Turismo, Arialdo Pinho, confirma o ajuste de funções.
“Não existe qualquer movimentação na obra do Acquario. Nós estamos organizando e passando para a Seinfra. Agora quem vai guardar a obra é ela”, aponta o secretário.
Questionamentos
Segundo o promotor Ricardo Rocha, existem duas ações civis públicas e uma denúncia crime movidas pelo Ministério Público do Estado relacionadas ao equipamento. “A primeira ação que foi movida foi com relação ao questionamento da licitude das licitações realizadas para a construção do Acquario. São questionados vários pontos, onde a Setur desobedeceu à lei e ao certame foi totalmente ilegal”, afirma.

No exterior, um financiamento no Ex-Im Bank – estimado na época em US$150 milhões – foi captado pelo governo, além de um contrato para a construção assinado com a empresa americana ICM Reynolds, que foi até suspenso a pedido da construtora já na gestão do governador Camilo Santana.
A Seinfra estava responsável pela estrutura de concreto do Acquario, que, segundo a Pasta, está com 75% das obras executadas. Já a Setur, que até então estava responsável pela parte de equipamentos, informa que as intervenções estão cerca de 30% concluídas.
“O empreendimento tem o objetivo de incrementar o fluxo turístico do Estado. Vai aumentar o raio de captação de turistas, alongando o período de estadia e, como consequência, os gastos dos visitantes no mercado local. Quando em funcionamento, o equipamento deve receber cerca de 1,2 milhão de visitantes por ano. As obras tiveram início em 2012 e foram suspensas no início de 2017. Ao todo, o empreendimento já recebeu investimentos da ordem de US$43 milhões”, diz a Setur.
Fonte: Diário do Nordeste