Parque Estadual Marinho do CE completa 20 anos

Algas, esponjas, corais e 168 espécies de peixes das mais diversas cores e tamanhos, além de lagostas, tartarugas, golfinhos e tubarões estão presentes na unidade de conservação marinha que foi criada em 5 de setembro de 1997 ( FOTO: NARCUS DAVIS )

O Parque Estadual Marinho da Pedra da Risca do Meio ainda é desconhecido da maioria das pessoas

 

Das muitas riquezas naturais que têm o Ceará, uma delas é verdadeiro tesouro no fundo do mar. Imagine um verdadeiro mundo de diversidade de flora e fauna marinha: de minúsculos peixes raros, de cores vibrantes como encontrados nos melhores aquários, a tubarões. Esponjas, algas e corais emolduram a cortina azul que faz paisagem nos 33 km quadrados do Parque Estadual Marinho da Pedra da Risca do Meio. A unidade de conservação completou 20 anos com uma série de desafios, a começar por ser descoberta pelos cearenses, e daí o anseio pela preservação de uma beleza e riqueza tão ímpar.

O parque marinho cearense é talvez o primo desconhecido do que se vê no mar do Caribe e em Fernando de Noronha, em Pernambuco. Mas para muito especialistas a beleza marinha da “Pedra da Risca” supera a pernambucana. O nome da unidade vem das formações rochosas ou de corais existentes no lugar, chamadas pelos pescadores de “riscas” ou “cabeços”. Para conhecê-la é preciso partir das águas calmas e esverdeadas da enseada do Mucuripe, em Fortaleza, até o balanço de um hiperativo mar azul 18 km distante.

A viagem leva em torno de uma hora e meia, a chegada só quem sinaliza é o GPS. Tudo ao redor é céu, mar e nada mais, até o barco ancorar e os olhos mergulharem os primeiros 15 metros de profundidade: algas, esponjas, corais e 168 espécies peixes das mais diversas cores e tamanhos, além de lagostas, tartarugas, golfinhos e tubarões.

“Eu percebo que ter uma biodiversidade marinha preservada no Estado é um grande privilégio. Acredito que é um paraíso perdido, porque apesar de 20 anos de criação, é um lugar desconhecido”, afirma Izaura Lila, gestora da Unidade de Conservação. Ela acredita que o conhecimento das pessoas sobre a existência da área pode contribuir para sua preservação. “A gente dá muito valor ao que tem fora, escuta muito as pessoas quererem mergulhar em Fernando de Noronha, sem saber que existe um parque marinho aqui, tão ou mais bonito, e com uma diversidade tão grande. Esperamos que nesse momento haja reflexão sobre como conhecer e preservar nossas riquezas naturais”, defende Izaura.

Mergulho

Para conhecer esse paraíso escondido no mar é necessário mergulhar para além do raso. Todo o parque tem variações de 15 a 30 metros de profundidade, daí a necessidade de equipamentos de mergulho e estar habilitado para a atividade – há operadoras de mergulho em Fortaleza que realizam passeios ao lugar. Quem visita o parque é favorecido tanto pela temperatura da água (em torno de 27 graus) quanto a visibilidade, que pode chegar a incríveis 30 metros.

Para Marcus Davis, instrutor de mergulho e proprietário da operadora Mar do Ceará, a visita ao Parque Estadual Marinho da Pedra da Risca do Meio é uma verdadeira aula de encantamento e preservação ambiental.

“É de conhecimento geral que as nossa reservas biológicas marinhas estão caindo de forma vertiginosa, nossos estoques pesqueiros estão em defasagem. Quem mergulha há 10 ou 30 anos sabe disso. Então é importante que a gente tenha esses espaços de reprodução e regeneração da vida, que gerações presentes e futuras possam conhecer a vida marinha lá. É notável como as pessoas que conhecem o parque mudam o comportamento em relação à natureza”.

Seminário

A unidade de conservação marinha do Estado foi criada em 5 de setembro de 1997. Para comemorar essas duas décadas, acontece durante todo o dia de hoje (a partir de 8h), no auditório do Parque do Cocó, um seminário para celebrar e discutir os desafios para o local. “Estamos avançando na constituição de um Plano de Manejo e consolidando investimentos para aquele espaço”, explica Artur Bruno, secretário do Meio Ambiente e Sustentabilidade (Sema) do Ceará.

O seminário falará de biotecnologia, gestão, educação ambiental e mergulho. Será um momento raro, inclusive, para estudantes e pesquisadores confrontarem ideias e cobranças ao poder público para a manutenção da área. De acordo com o Governo do Estado, o parque será contemplado com recursos do Projeto Áreas Marinhas e Costeiras Protegidas, do Governo Federal. A Risca do Meio está entre as seis unidades selecionadas (as outras estão em Paraíba, Bahia, Maranhão, Pernambuco e Espírito Santo). Uma parceria com o Instituto de Ciências do Mar (Labomar), da Universidade Federal do Ceará (UFC) permitirá o uso de equipamentos da instituição para pesquisa e fiscalização. Um desafio necessário, pois apesar de pouco conhecido, a pesca predatória há muito chegou lá.

Fonte: Diário do Nordeste