07.02.2015

Somente nesta semana, dois veículos de grande porte romperam cabos suspensos em algum ponto da cidade
Um caminhão derrubou parte da fiação aérea no cruzamento da Rua Joaquim Nabuco com a Av. Santos Dumont, no bairro Aldeota, na manhã de ontem, e complicou o trânsito na região. Um ônibus ficou enganchado nos cabos e precisou da ajuda de técnicos da Companhia Energética do Ceará (Coelce) para ser liberado. Os fios rompidos eram de empresas de telefonia. Foi a segunda vez na semana em que um veículo de grande porte rompeu a fiação em algum ponto da Capital, trazendo à tona o debate acerca do caos urbano gerado pela distribuição desordenada de cabos suspensos pela cidade.
A Prefeitura de Fortaleza reconhece a falta de regulação para uso do espaço público pelas empresas prestadoras de serviço. Conforme disse o prefeito Roberto Cláudio em entrevista à TV Diário na última quinta-feira, uma proposta de regulamentação para o setor será enviada à Câmara Municipal, em março, com o objetivo de fiscalizar e punir as companhias infratoras.
Os postes da cidade são de responsabilidade da Coelce, entretanto, são várias as empresas que usam as estruturas para a disposição de fios, entre operadoras de telefonia, internet e TV a cabo. Destas, apenas a concessionária de energia passa por vigilância, feita pela Agência Reguladora de Serviços Públicos Delegados do Estado do Ceará (Arce). As demais agem de maneira indiscriminada, sem controle algum das autoridades.
A sobrecarga de cabos num mesmo poste, assim como a colocação de fios em altura abaixo da normatizada pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), são as irregularidades mais comuns, que podem gerar riscos e prejuízos à população.
Segundo a engenheira eletricista Thereza Neumann, presidente do Sindicato dos Engenheiros do Ceará, a reforma no setor é urgente. “O cidadão leigo não tem como saber se o fio é elétrico ou de comunicação”, diz, lembrando que a fiação elétrica pode causar choques quando em contato com o corpo.
De acordo com as normas da ABNT, a distância entre os condutores e o solo varia conforme a utilização. Nas ruas e avenidas, a altura dos fios de comunicação (TV, internet e telefone, por exemplo) deve ser de cinco metros, a contar do chão. Para os fios de energia de baixa tensão, esta altura é de 5,5 metros, e de alta tensão, seis metros.
“A Arce faz muitas fiscalizações de altura de rede, e diversas vezes já multou a Coelce por agir de maneira inadequada”, observa o coordenador do setor de Energia Elétrica da Arce, Eugênio Bittencourt.
Indignação
Sem saber que tipo de fio tinha sido rompido e com medo de ser eletrocutado, o auxiliar de cozinha José Orestes de Almeida mostrou-se indignado com a situação encontrada ontem pela manhã na Aldeota. “Os fios deveriam ser subterrâneos. Você vir passando pela rua e um cabo desses cair por perto, é perigoso”, comenta.
Há cerca de um mês, um poste localizado próximo ao cruzamento entre a Avenida Dom Luís e a Rua Tibúrcio Cavalcante, no bairro Meireles, ameaça desabar sobre um prédio. A estrutura de concreto teria sido destruída após sofrer a batida de um carro, conforme disseram trabalhadores do edifício. De acordo com o auxiliar de serviços gerais Antônio Ferreira, a Coelce já foi acionada pelo menos três vezes para resolver a situação, mas, até agora, nada foi feito.
O funcionário do prédio diz que os técnicos da Companhia visitaram o local, mas disseram que não havia necessidade de reparos, pois o poste estava sendo segurado pelos cabos.
O arquiteto César Scofano, que tem um escritório no prédio, lamenta a situação. “Não tem segurança nenhuma, a qualquer momento pode cair por cima do prédio. Talvez estejam esperando que aconteça algum acidente para tomar providências”, diz.
Por meio de nota, a Coelce declarou que, ainda neste mês, realizará a substituição da estrutura naquele cruzamento
http://diariodonordeste.verdesmares.com.br/cadernos/cidade/acidentes-evidenciam-distribuicao-desordenada-1.1215881
Fonte: Diário do Nordeste