Célula artificial capaz de se reproduzir
As células artificiais teriam um sem-número de aplicações, incluindo criar dispositivos eletrônicos biônicos.
Já existem células artificiais com genética própria e até células sintéticas que fazem fotossíntese, mas faltava uma maneira de supri-las com a energia necessária para que elas possam funcionar de maneira contínua.
Um passo essencial para “motorizar” as células artificiais, provendo-lhes um mecanismo de produção de energia, foi dado por Tjeerd Pols, da Universidade de Groningen, na Holanda, que construiu vesículas artificiais capazes de produzir ATP (adenosina trifosfato), o principal portador de energia nas células vivas.
As vesículas usam o ATP para manter seu volume e homeostase iônica. A equipe pretende usar essa rede metabólica na criação de células sintéticas de vida longa e que possam se multiplicar.
“Nosso objetivo é a construção de baixo para cima de uma célula sintética que possa se sustentar e que possa crescer e se dividir,” disse o professor Bert Poolman.
Energia para células artificiais
Todas as células vivas produzem ATP como portador de energia, mas alcançar uma produção sustentável de ATP em um tubo de ensaio não é uma tarefa simples.
“Nos sistemas sintéticos conhecidos, todos os componentes da reação são inseridos dentro de uma vesícula. No entanto, após cerca de meia hora, a reação atinge o equilíbrio e a produção de ATP diminui,” explica Poolman. “Queríamos que nosso sistema ficasse longe do equilíbrio, assim como nos sistemas vivos”.

“A exportação de ornitina produzida dentro da vesícula impulsiona a importação de arginina, que mantém o sistema em funcionamento enquanto as vesículas são abastecidas com arginina”, explica Poolman.
Para criar um sistema fora de equilíbrio, o ATP é usado para manter a força iônica dentro da vesícula. Um sensor biológico mede a força iônica e, se esta se tornar muito alta, ativa uma proteína de transporte que importa uma substância chamada glicina betaína. Isso aumenta o volume celular e, consequentemente, reduz a força iônica. “A proteína de transporte é alimentada por ATP, então temos produção e uso de ATP dentro da vesícula.”
Reprodução sintética
O sistema funcionou por 16 horas no experimento mais longo que os cientistas realizaram. “Isso é bastante tempo – algumas bactérias podem se dividir após apenas 20 minutos,” disse Poolman. “O sistema atual deve ser suficiente para uma célula sintética que se divide uma vez a cada poucas horas.”
Eventualmente, diferentes módulos como este serão combinados para criar uma célula sintética que funcionará autonomamente, sintetizando suas próprias proteínas a partir de um genoma sintético.
Fonte: Inovação Tecnológica.