Carlos Maurício, o Arquiteto de Ideias, Sorrisos e Memórias

O Senge-CE e todos que conviveram com Carlos Maurício se despedem, com profundo pesar, de uma personalidade única, generosa e inesquecível. Arquiteto, diretor de comunicação, colega brilhante e amigo sempre presente, Carlos deixa um legado que ultrapassa suas realizações profissionais — ele deixa histórias, afetos e uma presença que nunca se apagará.

“Extremamente carismático, criativo e espirituoso, Carlos era daquele tipo raro de pessoa que ilumina os ambientes apenas chegando”.

Amava música, era dono de um humor refinado e de uma curiosidade que parecia não ter fim. Sua esposa, Ruth Mattos Dourado, dizia com ternura que ele era um verdadeiro tudólogo: “de tudo ele sabia um pouco, ou melhor dizendo, sabia muito de tudo”. E quem conviveu com ele sabe que isso era pura verdade.

Formado em Arquitetura e Urbanismo em dezembro de 1978, Carlos construiu uma carreira sólida e admirada, com passagens marcantes pela Prefeitura Municipal de Fortaleza e pelo Governo do Estado do Ceará. Sua criatividade e competência deram vida a projetos importantes, como o Monumento Comemorativo da rodovia que liga a BR-222 ao município de São Gonçalo do Amarante, em 1975; o Hotel Municipal de Itapipoca; além do projeto, cálculo, construção e instalação da residência do Coronel José Gondim, entre tantos outros trabalhos que levaram sua assinatura sensível e técnica apurada.

Mas, acima de sua carreira exemplar, estava o homem de família, amoroso e dedicado. Ao lado de Ruth, foram 46 anos de casamento e mais de cinco décadas de uma história construída com parceria, companheirismo e afeto. “Namoramos cinco anos, tínhamos 51 anos de relacionamento”, recorda ela. Dessa união nasceram três filhos e cinco netos, que crescem hoje cercados pelas lembranças, pelos ensinamentos e pelo amor de um avô que sempre foi referência.

Carlos parte deixando saudade, mas também deixando uma marca profunda na vida de quem teve o privilégio de estar ao seu lado. Sua memória permanece viva nas obras que idealizou, nas conversas cheias de sabedoria, na alegria contagiante e no carinho que espalhou por onde passou. Que seu legado siga inspirando, guiando e acolhendo — assim como ele sempre fez.

 

Amigos homenageiam Carlos Maurício

 

O arquiteto Carlos Maurício deixou um impacto duradouro por meio de um trabalho técnico primoroso junto à Prefeitura de Fortaleza, à Prefeitura de Sobral e ao Sindicato dos Engenheiros no Estado do Ceará (Senge-CE).

Atualmente, desfrutava de liberdade profissional. Parecia sempre envolvido em algo significativo e, sobretudo, demonstrava prazer genuíno em ajudar os outros.

Todos temos a obrigação de tornar o mundo um lugar um pouco melhor enquanto estamos aqui. E isso o Carlos Maurício fez, tornando a vida mais leve, mais fácil e melhor para quem conviveu com ele, inclusive por meio do trabalho que realizamos juntos.

A compreensão profunda do que significa deixar um legado duradouro guiou suas escolhas profissionais.

Carlos Maurício formou-se em Arquitetura e ingressou na PMF para integrar o time de engenheiros, arquitetos e demais profissionais do qual também faço parte, ainda que o salário, à época, não fosse o ideal. A oportunidade, porém, lhe pareceu irresistível. Trabalhar na PMF era sinônimo de status.

Foi ali que reencontrei nosso querido e inesquecível Carlos Maurício, em um ambiente que nos fazia felizes.

“Seu reconhecimento, seu estímulo à equipe, sua leveza e seu jeito alegre de contar histórias abriram caminhos para o legado que deixou à família, aos amigos e aos colegas do Município de Fortaleza. Eu adorava trabalhar com ele”.

Sempre admirei Carlos Maurício. Ele tinha uma incrível capacidade de enxergar o panorama geral e de formular opiniões criativas e exitosas. Conversávamos com frequência sobre as nossas trajetórias no Senge-CE, e ele sempre trazia ideias fabulosas e valiosas.

Se você quer ser melhor e fazer melhor, aproxime-se de pessoas que você admira.

Teodora Ximenes da Silveira – Presidente do Senge-CE

 

Entre Risos, Experiências e Memórias: Carlos Maurício

Somos amigos desde os tempos do Colégio Cearense, do ginasial e do científico.
Eu era um ano mais velho que ele no colégio, mas, mesmo assim, tivemos boas lembranças e encontros marcantes: a paixão pela química e pelos laboratórios de experiências, como os jogos “O Pequeno Químico”. Foi nessa época que ele ganhou o apelido de “Cientista”. Eu terminei o colégio em 1971 e ele, em 1972.

Entrei na Universidade em 1972, enquanto ele foi para os Estados Unidos e voltou para fazer o vestibular e cursar a faculdade em 1974. Também tivemos bons encontros durante a Escola de Arquitetura, que nos renderam ótimas memórias.

”Gente boa demais, de sorriso largo, sempre disposto a interagir, a aprender, sempre com muitas histórias interessantes — um piadista nato, capaz de fazer rir qualquer pessoa que estivesse na roda.”

A vida foi passando, vieram os casamentos e os distanciamentos naturais dos caminhos profissionais diferentes. Ele chegou a morar em Sobral, entre outras mudanças.

Com as redes sociais, em 2015, vieram novas aproximações: reuniões com grupos de ex-alunos do colégio, nossos happy hours de sexta-feira no Ideal, que reacenderam as boas lembranças e proporcionaram novos bons encontros.

No aniversário de 70 anos dele, celebrado com tudo o que tinha direito, fui apresentado a toda a família e pude ver o grande avô que ele era: sempre solicitado pelos netos, amoroso e atencioso com todos. Uma cena de encher o coração de alegria. Os netos foram uma de suas grandes conquistas e sua paixão incondicional.

Recebi a notícia da morte prematura dele com muita tristeza. Mas me confortou profundamente ver a união da linda família que ele deixou e perceber o quanto ele partiu carregado de amor, rumo à casa do Pai.

Paulo Régis de Oliveira Assumpção