O engenheiro agrônomo Lirani Dantas comprou uma propriedade com uma estação de tratamento de esgoto, ao lado da cidade de Florânia, no Rio Grande do Norte, a 230 km de Natal.
Acontece que todo o esgoto de Florânia acaba indo para a propriedade de Dantas. Mas o que à primeira vista pode parecer um desconforto, o engenheiro transformou em benefício. Dantas criou pastagens que não deixam a desejar das encontradas nas fazendas do Centro-Sul do País, por exemplo.
Colhendo a água do terceiro tanque, onde já se considera que o esgoto esteja tratado, ele pulveriza os pastos. O capim reagiu com toda força e o gado respondeu com muito vigor. “Essa água é uma solução nutritiva. É uma água com nutrientes. Não uso adubo”, conta.
A produção de leite de sua propriedade praticamente triplicou. Segundo o veterinário Jaílson Santana, o reúso não implica em manejo diferente. Bem nutrido, o rebanho tem mais imunidade.
Há um cuidado fundamental com as vacas em lactação: elas não podem pastar perto do tanque que recebe o esgoto in natura.
O especialista em saneamento e engenharia ambiental, Cícero de Andrade, diz que tem países que reaproveitam até 70% do esgoto doméstico. Alguns países já têm tubulação de grande porte para transportar o esgoto urbano até o campo. É o caso de Israel, Austrália e México. Uma maneira inteligente e sustentável de transformar poluição em produção.
Fonte: Globo Rural