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Vida à distância

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Nos últimos 40 dias, cerca de 240 milhões de crianças e jovens na China passaram a aprender de forma radicalmente diferente. O país onde eclodiu a pandemia do novo coronavírus fechou todas as escolas e rapidamente colocou em prática um esquema de aulas à distância numa escala jamais vista. Do ensino fundamental ao superior, os estudantes incorporaram à sua rotina desde sessões de tutoria online até aulas de matemática, chinês, inglês, arte e educação física transmitidas por canais estatais de TV.

Um site do governo divulga o calendário de aulas da semana, que começam pela manhã e vão até tarde da noite. Nas plataformas online, cerca de 24.000 cursos gratuitos foram disponibilizados para o ensino técnico e superior. Num país obcecado com o sucesso educacional, o mantra oficial é: “Parem as aulas, mas não parem de aprender”. Com a estabilização do coronavírus na China — no dia 23 de março o país registrava quase 3.300 mortes, mas havia mais de 72.000 pessoas recuperadas e 6.000 em tratamento —, a reabertura das escolas e universidades está prevista para o final de abril.

Com a pandemia já atingindo 193 países e territórios, a rotina dos estudantes chineses é apenas um exemplo do que bilhões de pessoas começam a experimentar mundo afora em razão da necessidade de manter um distanciamento social — ficar longe o suficiente de outras pessoas para evitar a propagação do vírus. A digitalização de vários aspectos da rotina — algo que os futuristas davam como um movimento irrefreável — está sendo acelerada pela pandemia.

O distanciamento social está levando para dentro de casa o trabalho, o aprendizado, o abastecimento da geladeira, a ginástica, a sessão de terapia e inúmeras formas de lazer que, intermediadas pela tecnologia, nos protegem e nos mantêm isolados. Uma certeza é que a sociedade sairá diferente da atual crise. Depois de semanas — quem sabe meses — de isolamento, vamos incorporar novos hábitos? Muita gente acha que sim.

Professor da Somos Educação, em São Paulo: a empresa vai colocar online 1,3 milhão de alunos do ensino básico por causa da quarentena | Germano Lüders

Veja o exemplo da China. Muito antes do início da pandemia, o país vinha investindo pesadamente em soluções educacionais digitais para sua imensa massa de estudantes. A competição brutal entre os estudantes chineses para conseguir vagas nas melhores escolas do ensino médio de sua cidade (por  meio  de um  exame  de admissão)  e depois para ser selecionados nas melhores universidades permitiu o florescimento da indústria do reforço escolar.

Antes restrito a quem podia pagar um professor particular, dezenas de startups criaram modelos exclusivamente online ou híbridos para atingir um número cada vez maior de alunos. “A China é o país que lidera a aplicação de inteligência artificial na educação”, diz Maria Spies, cofundadora da consultoria australiana especializada em educação Holon IQ.

No final de outubro do ano passado, antes de a covid-19 ser uma ameaça no radar, a reportagem da EXAME viu de perto o que algumas das mais bem-sucedidas startups educacionais da China estão fazendo. Baseada em Xangai, a Squirrel AI é uma delas. O unicórnio chinês do setor de educação criou um modelo híbrido que une uma plataforma de inteligência artificial capaz de descobrir as falhas de aprendizado dos estudantes com aulas de reforço presencial nos mais de 2.000 centros que a empresa abriu nos últimos cinco anos.

A tecnologia criada pela Squirrel conseguiu granular o conteúdo de cada disciplina em milhares de subitens. A matemática do ensino médio, por exemplo, é dividida em mais de 10.000 tópicos, chamados de “pontos de aprendizado”, como as propriedades de um triângulo e o teorema de Pitágoras. Na plataforma online, os algoritmos de inteligência artificial criados pela companhia conseguem, com base nas respostas dos estudantes aos exercícios propostos, identificar onde estão os problemas. Até o tempo que um aluno leva para responder a uma questão dá pistas sobre o que ele sabe ou não.

Centro de reforço escolar em Hangzhou, na China: tecnologias como inteligência artificial para melhorar o desempenho dos estudantes | Fabiane Stefano

A reportagem visitou um desses centros de reforço escolar da Squirrel AI na cidade de Hangzhou. Era uma manhã de sábado e a unidade que ocupa uma parte do 3o andar de um prédio comercial estava lotada. Ali, alunos de 7 a 15 anos tinham aulas de matemática, ciências, chinês e inglês. O estudante He Qi, de 13 anos, utiliza a plataforma há pouco mais de um ano para melhorar seu desempenho em inglês e chinês. Suas notas aumentaram 20% no período, o que deve qualificar Qi a estar entre os 10% melhores das turmas do 8o ano na cidade e garantir uma vaga numa boa escola de ensino médio de Hangzhou. Com o coronavírus, as unidades presenciais da Squirrel ficaram fechadas e seus 200.000 alunos passaram a ter a aulas de tutoria integralmente pela internet.

Atualmente, 1,3 bilhão de estudantes em todo o mundo têm as aulas afetadas ou suspensas. Nos Estados Unidos, estima-se que 76,5 milhões de alunos terão algum tipo de educação à distância. “Literalmente, todas as faculdades e universidades dos Estados Unidos estão sendo obrigadas a refazer e inovar suas estratégias de aprendizado online”, diz Mitchell Stevens, professor de educação digital na Universidade Stanford. “Depois que essa calamidade passar, as escolas e universidades não vão simplesmente guardar numa prateleira os investimentos que fizeram durante a crise. A educação digital vai avançar rapidamente depois da covid-19.”

No Brasil, o fechamento de escolas e universidades também está fazendo com que instituições de ensino acelerem a implantação de metodo­logias digitais. A Somos Educação, empresa que pertence ao grupo Cogna (antiga Kroton), vai mais do que dobrar o número de alunos do ensino básico que usam sua plataforma online, a Plurall. Antes da crise do coronavírus, 570.000 alunos do ensino médio e do fundamental 2 (ciclo que inicia por volta dos 11 anos) já utilizavam a plataforma para fazer exercícios e interagir com tutores.

Em média, os estudan­tes usavam a plataforma por 47 minutos ao dia. Agora, com as aulas suspensas nas 3.400 escolas que assinam o serviço, a previsão é que esse tempo aumente para 3 a 4 horas diárias. Outros 700.000 alunos do ensino infantil e fundamental passarão a ter pela primeira vez aulas num ambiente virtual. “Será um encontro de uma geração de crianças e adolescentes que já são nativas digitais com professores que ainda estão presos a um modelo analógico de ensino”, diz Mário Ghio, presidente da Somos. “Certamente, quando a crise passar, vamos lidar de forma diferente com a tecnologia na sala de aula.” A legislação, em algum sentido, teria de acompanhar: no Brasil, a plataforma online não pode substituir aulas presenciais, com exceção do período emergencial do coronavírus.

Veículo autônomo de entrega, na China: novas tecnologias devem prosperar numa sociedade que preza, por ora, menor contato entre as pessoas | Qu Honglun/China News Service/Getty Images

Assim como os estudantes, milhões de profissionais deixaram o escritório e agora trabalham de casa. A pandemia do novo coronavírus tem feito empresas de diferentes setores mudar seus negócios para se adequar à necessi­dade de isolamento das pessoas para evitar a disseminação. Com 45.000 empregados no mundo, o Facebook garantiu um bônus de 1.000 dólares para que seus funcionários equipem suas casas para trabalhar remotamente. Apple, Google, Amazon e Microsoft também estão apoiando financeiramente os trabalhadores que precisam de ajuda para montar uma estação de trabalho residencial.

No Brasil, a Tabmedia, empresa de soluções à distância para a área de vendas, mantém sua rotina trabalho — cada um dos 22 profissionais na própria casa. Desde 2012, a companhia adota home ­office. Vinicius Maciel, sócio e gerente de produtos, diz que o modelo tem mais pontos positivos do que negativos — ele destaca, sobretudo, a economia com aluguel. A maioria das empresas no país, no entanto, está experimentando o trabalho remoto em larga escala pela primeira vez. A ­Pixeon, de tecnologia na área médica, é uma delas.

A companhia, que emprega 400 pessoas, alugou notebooks e providenciou o acesso às redes 4G, além de criar uma política de reembolso de gastos com internet e eletricidade para os funcionários transformarem a residência em escritório. “A experiência forçada pode servir de teste para a ­Pixeon conti­­nu­­ar operando com funcionários trabalhando em casa no futuro. “A maior questão é avaliar a performance dos trabalhadores. É isso que tira o sono do gestor”, diz Armando Buchina, presidente da empresa.

Escritório da Red Ventures, em São Paulo: pela primeira vez, todos os funcionários trabalham em home office na empresa | Germano Lüders

Na Red Ventures, empresa de vendas e marketing digital que nunca tinha feito home office, a primeira semana com a equipe toda trabalhando em casa foi uma surpresa positiva. “O trabalho fluiu normalmente e houve um aumento da cooperação entre os times”, diz o vice-presidente Antonio Rocha, que considera tornar a prá­tica permanente na empresa quando a crise passar. No Brasil, 45% das empresas adotavam algum tipo de trabalho remoto em 2018. “Este momento será um divisor de águas para o teletrabalho. Obrigadas a usar a modalidade, as empresas vão perceber que é eficaz e o preconceito vai diminuir”, afirma Luis Otávio Camargo Pinto, presidente da Sociedade Brasileira de Teletrabalho e Teleatividades.

Vinicius Maciel, da Tabmedia: empresa opera totalmente com trabalho remoto, o que gera economia de custos | Germano Lüders

A adoção do home office tende a causar disrupção na mentalidade de funcionários e gestores de como o trabalho deve funcionar. A presença no escritório, o número de reu­niões e a quantidade de horas de dedicação sempre serviram de termômetro do dia a dia para as lideranças. Com as mesas e as salas de reuniões vazias, como saber se todos realmente estão trabalhando? No banco Bradesco, o trabalho remoto era uma prática restrita a alguns executivos. Porém, logo depois do Carnaval, quando houve o primeiro diagnóstico da covid-19 em São Paulo, a comissão de gestão de risco do banco começou a agir: de seus mais de 100.000 funcionários, mais de 4.000 pertencem a grupos de risco, entre os quais 2.200 grávidas e pes­soas com doenças crônicas, que foram liberadas do trabalho.

Nas agências, o banco adotou o revezamento de meia equipe e contratou uma empresa para fazer a limpeza frequente do ambiente. Agora, 75% dos funcionários na matriz trabalham em casa. “É um processo que implica confiança nas relações”, diz Glaucimar Peticov, diretora executiva do Bradesco. “Estamos preparando um roteiro sobre como os gestores podem gerenciar o trabalho à distância.”

Hospital Albert Einstein, em São Paulo: 100 profissionais do hospital são voltados exclusivamente para a telemedicina | Germano Lüders

O home office, claro, também tem seus problemas — e seus críticos. Um deles é o economista americano Edward Glaeser, que nos últimos dias passou a trabalhar em sua casa no estado de Massachusetts, confinado com três filhos adolescentes. “A magia da economia moderna vem de interações face a face. Pessoas trabalhando juntas nas empresas, nos laboratórios, nas universidades. Elas discutem problemas e criam soluções, produtos, tecnologias. É assim que o processo de criatividade funciona”, diz Glaeser (leia entrevista abaixo).

Um estudo da Universidade Stanford de 2016, porém, aponta que trabalhar em casa pode aumentar em 13% a produtividade de determinados grupos de trabalhadores. A análise é resultado de um experimento com a agência chinesa de turismo Ctrip, que testou por nove meses o home office com 249 funcionários da área de atendimento. O resultado: houve um aumento de minutos trabalhados e do número de chamadas atendidas. Ao ver o ganho de produtividade e obter uma economia de 2.000 dólares por funcionário, a Ctrip estendeu a opção a todos. Surpresa: dois terços dos participantes do experimento pediram para voltar ao escritório, citando que se sentiam solitários.

O fato é que apenas parte dos trabalhadores pode se dar ao luxo de escolher onde trabalhar. Empregados do setor industrial e uma parcela grande dos funcionários do setor de serviços simplesmente não conseguem exercer suas funções fora da empresa. Posto isso, a questão que se coloca agora vai além da efetividade ou não do home office, mas como lidar com o isolamento a que todos estarão sujeitos, seja um novato, seja um funcionário experiente no trabalho remoto?

A pandemia apresenta desafios peculiares, como o de não se deixar controlar pelo medo de um inimigo desconhecido e invisível, o vírus. Entra nessa conta também a presença de familiares no mesmo ambiente, como os filhos fora das escolas e creches. “O novo agora não é o trabalho em casa, mas desempenhar suas funções num ambiente psicológico possivelmente degradado”, diz a psicóloga Bela Fernandes, da consultoria Aylmer Desenvolvimento Humano. “Vamos aprender muito. Junto com o computador para casa, a pessoa tem de levar maturidade, confiança e um senso de intraempreendedorismo.”

Desde o início da pandemia, a startup brasileira Vittude, especializada em terapia online, registrou em sua plataforma um aumento da procura por conteúdo relacionado a solidão, ansiedade e depressão. “Preciso entregar meu trabalho, meu chefe vai continuar me cobrando, mas ao mesmo tempo estou com meus filhos, que não estão na escola, há toda uma distração ao redor. Tudo isso gera uma sensação de pânico”, diz Tatiana Pimenta, cofundadora e presidente da Vittude.

“Vamos começar a divulgar vídeos para falar sobre como lidar com esse ambiente de incerteza, com a ansiedade. Como olhar para o lado positivo de estar em casa, de não enfrentar o trânsito, de poder cozinhar a própria comida e de ter horário flexível.” Fundada em 2016 como uma plataforma digital para conectar psicólogos e pacientes, a Vittude tem hoje mais de 30.000 usuários cadastrados, mas está negociando planos corporativos com algumas em­presas. “Queremos chegar a 1 milhão de vidas cobertas até o fim do ano”, diz Pimenta. A plataforma tem 4.100 psicólogos cadastrados, que pagam uma assinatura para ter um consultório virtual na Vittude.

Clínica médica de atendimento remoto, na China: é possível fazer uma consulta com médico virtual e comprar remédios no mesmo lugar | Imaginechina/AFP
A crise do coronavírus colocou em evidência a telemedicina — prestação de serviços médicos à distância —, uma ideia nada nova. Durante as pestes que castigaram a Europa na Idade Média, há relatos de que alguns médicos se resguardavam a uma distância segura de um vilarejo atingido por uma calamidade e enviavam suas prescrições aos doentes por um mensageiro. A prática começou a ganhar contornos mais profissionais com a invenção do telégrafo e do telefone, no século 19, e teve grande impulso no século 20 com o avanço das tecnologias da informação e da comunicação. Mas em nenhum momento da história a telemedicina foi tão crucial como agora. Oferecer cuidados de saúde de forma remota é fundamental para manter as pessoas em casa, evitar o deslocamento desnecessário de doentes aos hospitais e combater a propagação do coronavírus.

O país que melhor ilustra a importância da telemedicina é, de novo, a China. No dia 23 de janeiro, quando as autoridades sanitárias decretaram o isolamento da província de Hubei, o epicentro do surto da covid-19, a plataforma de saúde digital WeDoctor lançou um serviço de assistência em tempo real sobre a epidemia, oferecendo consulta médica e psicológica online gratuita. Em menos de dois meses, a plataforma chinesa recebeu mais de 128 milhões de visitas. Ao todo, quase 1,7 milhão de pessoas receberam orientações de uma equipe de 51.200 médicos.

Diante da disseminação do coronavírus ao redor do mundo, a WeDoctor lançou, no dia 14 de março, uma versão global da plataforma, com orientação gratuita em chinês e inglês. Em uma semana, a plataforma recebeu 9,4 milhões de visitas, e 6.800 médicos voluntários ofereceram consultas gratuitas a 37.000 pessoas de 22 países. “Queremos ajudar as pessoas nestes tempos difíceis, especialmente nos lugares em severa situa­ção de epidemia, como Itália, Japão e Coreia”, diz Birch Bai, gerente sênior da WeDoctor. Ao todo, a empresa — avaliada recentemente em 5,5 bilhões de dólares — tem 210 milhões de usuários registrados.

A WeDoctor não está sozinha na batalha contra o coronavírus na China. Logo após o início do surto, a plataforma de saúde digital Ping An Good Doctor, com sede em Xangai, abriu um serviço de consulta online específica sobre a covid-19. Desde então, a plataforma recebeu mais de 1,1 bilhão de visitas de pessoas em busca de informações para se proteger contra o vírus. No fim de 2019, a Ping An Good Doctor tinha 315 milhões de usuários registrados — um a cada três internautas no país. O usuário pode baixar um aplicativo e acessar os serviços a qualquer hora, de qualquer lugar — foram, em média, 729.000 consultas por dia no ano passado.

Se quiser, pode se dirigir a uma “Clínica de Um Minuto”, um quiosque de autoatendimento: entra na cabine e conecta-se a um médico virtual, “Dr. Inteligência Artificial”, que em poucos minutos faz um diagnóstico preliminar — o médico virtual compara as informações fornecidas pelo paciente com a base de dados de mais de 300 milhões de consultas reais, o que permite diagnosticar cerca de 2.000 doenças mais comuns. Depois, o paciente pode tirar suas dúvidas por videoconferência com um médico de carne e osso. A cabine, de 3 metros quadrados, contém uma máquina de venda de mais de 100 tipos de medicamento. Caso o medicamento prescrito não esteja disponível, o paciente pode encomendar pelo aplicativo e receber em casa.

Entregador de aplicativo de delivery, em São Paulo: no mundo, mais de 1 bilhão de pessoas usam apps de delivery de comida | Germano Lüders
Até recentemente, as autoridades chinesas adotavam certa cautela em relação à atuação das plataformas digitais de saúde. No ano passado, o governo chinês começou a levantar algumas restrições, como a proibição da venda online de medicamentos que exigem receita médica. Durante o pico da epidemia do coronavirus na China, no início de fevereiro, o Ministério da Saúde do país deu sinal verde às empresas de saúde baseadas na internet para que rea­lizem diagnósticos e tratem pacientes. Algo parecido, mas de forma bem menos radical, deve ocorrer no Brasil.

Por aqui, a legislação que regula a telemedicina é de 2002 — basicamente, permite ao médico online fazer agendamento e dar orientações à distância, mas não a consulta, com prescrição de medicamento. No dia 19 de março, o Conselho Federal de Medicina aprovou o uso da telemedicina no Brasil em caráter excepcional, enquanto durar o combate à epidemia da covid-19. Nesse período, os médicos poderão realizar teleorientação (orientar e encaminhar pacientes em isolamento), telemonitoramento (monitorar as condições de saúde de pacientes) e teleinterconsultas (trocar informações com outros médicos).

“Essa resolução já deveria ter saído há muitos anos. O Brasil está uns 30 anos atrasado em relação aos Estados Unidos, onde o número de consultas virtuais já é maior do que o de consultas presenciais”, afirma Carlos Camargo, diretor técnico da Brasil Telemedicina, empresa de Campinas, no interior paulista, que atua na emissão de laudos médicos e oferece serviços de orientação e monitorização médica à distância. Na prática, segundo Camargo, muitos médicos já davam “pseudoconsultas” informais, usando aplicativos como WhatsApp. “Com a regulamentação, eles poderão atender pacientes por videoconferência e com uma tecnologia mais apropriada para garantir a privacidade e a segurança dos dados.”

As amarras legais permitem atuações como a do Hospital Albert Einstein, em São Paulo, que montou uma equipe com 100 profissionais voltados exclusivamente para a telemedicina. A instituição atua nessa área dede 2012 e, até agora, atendeu mais de 200.000 pessoas remotamente. Usa a tecnologia para fazer desde a reabilitação de pacientes com doenças neurológicas ou oncológicas até o atendimento de trabalhadores que se encontram em plataformas de petróleo em alto-mar (a Petrobras é uma de suas clientes).

Há pouco tempo, o hospital assinou uma parceria com o Ministério da Saúde para atender 120 municípios da Região Norte por telemedicina, um projeto que vai exigir uma equipe de 500 profissionais. “A telemedicina vai crescer bastante no Brasil e abrir um novo mercado de trabalho”, diz Sidney Klajner, presidente do Einstein. “Pelas dimensões do país e pela má distribuição regional dos médicos, que estão concentrados no Sudeste e no Sul, aqui talvez seja o lugar onde a telemedicina tenha um futuro mais promissor.”

De olho nesse mercado, algumas multinacionais intensificam as conversas para costurar parcerias e ampliar a presença no país. É o caso da americana Teladoc Health, líder global em cuidados de saúde virtuais, presente em 120 países, que atende cerca de 40 milhões de pessoas em mais de 30 idiomas. No Brasil desde 2015, a Teladoc atende mais de 4,5 milhões de pessoas — beneficiários de seguradoras e planos de saúde e funcionários de algumas das maiores empresas do país. “Com a alta procura por te­leorientação de saúde, motivada pela pandemia do coronavírus, tivemos um aumento de 350% na demanda por atendimento em março. Em média, são 45.000 chamados por mês”, diz Caio Soares, diretor médico da Teladoc no Brasil.

Rua 25 de março, em São Paulo: a via de comércio popular que costuma estar lotada agora permanece vazia por causa do coronavírus | Germano Lüders

A experiência de isolamento a que muitos estão submetidos tem consolidado um novo jeito de viver em muitas outras áreas. No mundo, mais de 1,1 bilhão de pessoas já utilizam aplicativos de alimentação, como Rappi, Uber Eats e iFood. Este último contabiliza mais de 12,6 milhões de usuá­rios somente no Brasil. Em crescimento, o setor motivou a criação das chamadas dark kitchens, restaurantes que funcionam apenas com delivery, serviço que já faturava 11 bilhões de reais no Brasil antes da pandemia.

Já as vendas pela internet de supermercados ainda representam apenas 1% da receita de 75,1 bilhões de reais no varejo eletrônico bra­sileiro em 2019. O segmento, no entanto, deve crescer exponencialmente com a limitação da circulação. A controladora dos supermercados da rede Pão de Açúcar, por exemplo, adquiriu o aplicativo de entregas James Delivery para realizar entregas de seus produtos em poucas horas. O rival Carrefour, por sua vez, opera da mesma maneira com uma parceria com o aplicativo colombiano Rappi.

Para qualquer segmento que se olhe, a tecnologia tem sido um elemento fundamental para fazer deste momento de restrições algo mais produtivo e menos sofrido. A transmissão de filmes e seriados de TV pela internet já é utilizada — e paga — por mais de 1 bilhão de usuários em todo o planeta e faturou 24 bilhões de dólares no mundo, criando gigantes como a Netflix e a Amazon Prime Video. O strea­ming mudou a forma como nos relacionamos com o entretenimento. E deve mudar ainda mais. A extensão Netflix Party, disponível no navegador de internet Google Chrome, por exemplo, permite que duas ou mais pes­soas assistam ao mesmo filme simultaneamente de modo a simular uma experiência compartilhada de cinema. Mais de 500.000 internautas já utilizam a aplicação. 

Ao redor do mundo, grandes eventos de lazer e entretenimento sofreram o impacto da pandemia. Nos Estados Unidos, a NBA, associação nacional de basquete, teve sua temporada cancelada e o festival de música Coachella, que atrairia um público de cerca de 250.000 pessoas na Califórnia, foi adiado para outubro. No Brasil, o festival Lollapalooza teve a data transferida de março para dezembro.

E ainda há grande dúvida se a Olímpiada de 2020, no Japão, será ou não adiada. A necessidade por entretenimento, porém, é mais forte — e talvez até mais necessária diante de cenários de medo e incerteza. Nesse ambiente, as redes sociais viraram palco para artistas e até para a organização de festivais online. Em 24 horas, o perfil @festivalmusicaemcasa atingiu mais de 200.000 seguidores. E os organizadores chamaram artistas como ­Sandy e Michel Teló para se apresentarem pelo Instagram.

Parque da Disney, na Califórnia: grandes eventos de lazer e entretenimento sofreramo impacto da pandemia | Jeff Gritchen/MediaNews Group/Getty Images

A vida em sociedade após o coronavírus se tornará mais parecida com um filme de distopia? Provavelmente, não. Pode demorar semanas ou meses para o mundo dar por encerrada esta crise de saúde pública global, uma das mais graves dos últimos 100 anos. Mas é quase certo que sairemos dela diferentes do que entramos. Nos últimos anos, empresas de tecnologia e fabricantes de carros têm desenvolvido projetos de ­veículos autônomos por diversas razões, desde maior segurança até custos menores de transporte.

Por causa da pandemia, muitos lembraram da utilidade de veículos autônomos para transportar comida, remédios e pessoas sem o risco de contato com outro ser humano. É um argumento poderoso no atual momento. Mas os veículos autônomos devem ser uma realidade imperativa em uma década. O que o novo coronavírus deve fazer, no fim das contas, é acelerar a velo­cidade para chegar a um ponto que chegaríamos algum dia de qualquer maneira. Com a atual pandemia, o futuro chegou mais cedo de uma forma sombria — e vai se sair melhor quem se adaptar aos novos tempos e tirar lições da crise, cujos efeitos tendem a ser duradouros. 


O HOTEL DO FUTURO É MOVIDO POR INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL

O gigante chinês de tecnologia Alibaba criou um hotel em que o contato humano é mínimo | Fabiane Stefano, de Hangzhou

Hotel do Alibaba, em Hangzhou, na China: robô-camareiro e reconhecimento facial são as atrações do hotel do gigante chinês de tecnologia | Xinhua News Agency/AFP

Um vislumbre do que pode ser a hotelaria dos próximos anos fica na cidade de Hangzhou, na China. Ali, o gigante de tecnologia Alibaba, avaliado em 490 bilhões de dólares, inaugurou no final de 2018 o FlyZoo, que se intitula, sem modéstia nenhuma, “o hotel do futuro”. No FlyZoo é a inteligência artificial que move a experiência do hóspede. O registro na recepção é feito por meio da carteira digital Alipay, do próprio Alibaba, tecnologia que praticamente substituiu todas as outras formas de pagamento na China. Isso, é claro, funciona para os chineses.

Os estrangeiros que não residem na China, como ocorreu comigo quando me hospedei no hotel no final de outubro de 2019, não conseguem acesso a carteiras digitais no país, pois não têm conta-corrente em uma instituição financeira local. Portanto, quem vem do exterior precisa solicitar a assistência de uma recepcionista humana para fazer o check-in, pagar com cartão de crédito a diária de cerca de 80 dólares e, sobretudo, tirar uma foto de seu rosto. Esse detalhe é fundamental. Todos os acessos no FlyZoo são feitos por reconhecimento facial: o elevador, a porta do quarto, o restaurante do café da manhã. Dentro do apartamento, acionar o televisor e a iluminação, regular a temperatura e abrir as cortinas são feitos por comando de voz — em chinês.

Um robozinho faz as vias de garçom e camareiro (a diversão dos hóspedes é solicitar escova e pasta de dente para o equipamento entregar no quarto, ainda que haja vários desses kits no banheiro). Com 290 quartos, o FlyZoo é uma espécie de showroom das tecnologias que o Alibaba vem desenvolvendo, sobretudo as aplicáveis para casas inteligentes. Um hotel que queira implementar o mesmo pacote tecnológico terá de desembolsar 800.000 dólares. Em tempos em que a proximidade com outro ser humano é risco sanitário, o hotel do Alibaba é uma estranha, mas reconfortante, visão de futuro.


“O MUNDO EM QUE VIVEMOS ENCOLHEU”

Para o economista Edward Glaeser, da Universidade Harvard, a magia da economia moderna vem da interação entre as pessoas | Fabiane Stefano

Edward Glaeser, de Harvard: a pandemia pode levar eleitores de todo o mundo a escolhas mais pragmáticas nas prõximas eleições | Divulgação

O americano Edward Glaeser é um dos maiores especialistas do mundo em economia urbana. Professor na Universidade Harvard, ele ficou conhecido pelo livro O Triunfo das Cidades, que mostra que as sociedades prosperam porque as pessoas vivem, trabalham e pensam em conjunto. Diante da adoção de medidas de isolamento social em razão da pandemia da covid-19, o economista acredita que, se essa crise se prolongar, haverá impactos na economia e na inovação. Glaeser também faz um alerta aos governos: é preciso concentrar-se em funções vitais, como proteger a população de pandemias. Leia trechos da entrevista à EXAME.

A pandemia de coronavírus vai mudar a forma como a sociedade se relaciona?

Nos últimos 500 anos da história humana, sempre seguimos em direção a uma sociedade mais conectada. Do nível mais básico, o indivíduo interagindo com sua vizinhança, às ligações comerciais via navegação marítima. E, de repente, deixamos de ter um mundo surpreendentemente conectado e estamos voltando a ser como camponeses medievais, em termos de quão pequeno nosso mundo se tornou. A grande diferença, claro, é a tecnologia, que nos permite manter nossas relações interpessoais. O mundo em que vivemos encolheu momentaneamente.

Como será o impacto para as cidades?

Isso depende se será algo temporário ou se as ameaças das pandemias se tornarem mais constantes em nossa vida. Em certo sentido, somos sortudos. Faz mais de um século que não ocorre nada dessa magnitude. Epidemias como sars, ebola e gripe suína foram contidas. Se em seis meses tivermos desenvolvido uma vacina e adotado medidas globais para que ela seja distribuída rapidamente, acredito que as mudanças serão relativamente pequenas. Mas, se for de longo prazo e se repetir de tempos em tempos, teremos de reavaliar a realidade.

Nesse cenário extremo, o que acontece com a economia e a inovação?

A magia da economia moderna vem de interações face a face. Pessoas trabalhando juntas nas empresas, nos laboratórios, nas universidades. Elas discutem problemas e criam soluções, produtos, tecnologias. É assim que o processo criativo funciona. Agora, estamos tentando simular isso online, e creio que haja uma eficácia de 70%. Mas há muitas configurações do setor produtivo. Cerca de um quinto da força de trabalho americana está no varejo e nos setores de lazer e hospitalidade. Essas são três das maiores áreas em que americanos menos qualificados trabalham. São setores que, no curto prazo, serão dizimados por essa pandemia.

Isso pode aprofundar a desigualdade?

Com certeza. Para um profissional bem-educado, capaz de realizar o trabalho remotamente, essa experiência não será muito dolorosa. Ainda mais se o salário dele estiver garantido. Agora, se esse profissional trabalhar numa loja ou restaurante, não sabemos se terá emprego no final do mês. O processo de desindustrialização nos Estados Unidos — e no Brasil também — tirou trabalhadores das fábricas, que foram para o setor de serviços. Certamente, parte dessas pessoas vai continuar trabalhando e não vai se proteger dessa pandemia ou de qualquer outra no futuro.

Qual é o impacto da tecnologia nesse cenário?

A tecnologia nos permite avaliar quais são as interações desnecessárias e quais as que realmente importam. Comprar no supermercado online é uma mudança que certamente veio para ficar. Ela está mudando toda a cadeia de suprimento de alimentos. Nos Estados Unidos, empresas como a Whole Foods e a Amazon estão crescendo nesses segmentos. E veremos as frações mais ricas da sociedade brasileira mantendo esse novo hábito depois do fim da pandemia.

Como os governos deveriam se comportar diante de tantas ameaças?

Este momento é um alerta para governos de todo o mundo. No cenário eleitoral americano, por exemplo, o sucesso de Joseph Biden em relação a Bernie Sanders na corrida democrata reflete o pragmatismo dos eleitores, que cobram a prestação de serviços essenciais. Espero que a resposta dos eleitores de todo o mundo seja que precisamos de governos que realizem tarefas vitais, como nos proteger de pandemias.


UMA NUVEM E ALGUMAS SOMBRAS NA TECNOLOGIA

O aumento do uso da internet em atividades à distância sobrecarrega as redes e traz novos desafios  | Rodrigo Loureiro

Streaming de vídeo: com mais gente em casa, as redes de internet ficam sobrecarregadas | Alamy/Fotoarena

Com mais pessoas trabalhando e realizando atividades à distância, é preciso existir por trás uma infraestrutura digital parruda. Esse tipo de demanda é atendido pelos serviços de computação em nuvem, que permitem o acesso a arquivos e programas remotamente, via internet. Estimado em 340 bilhões de dólares em 2019, o mercado de computação em nuvem deverá crescer 170% até 2025, segundo a consultoria Ken Research. Mas a explosão da demanda por serviços de nuvem, devido à pandemia do novo coronavírus, está pondo em xeque a capacidade da tecnologia.

Para evitar o congestionamento das redes, a União Europeia pediu à Netflix e a outros serviços de streaming para reduzir a qualidade dos vídeos transmitidos. “Será um enorme teste de estresse para as redes de comunicação”, afirmou Blair Levin, ex-diretor executivo da Comissão Federal de Comunicações dos Estados Unidos. No Brasil, a Anatel, órgão regulador de telecomunicações, pediu às operadoras para aumentar a velocidade dos clientes e o acesso gratuito às redes de internet Wi-Fi em locais públicos. “Será um teste importante para saber como as antenas vão suportar”, diz André Frederico, responsável pela área de computação em nuvem da empresa brasileira Tivit.

Manter a conexão dos usuários não é o único desafio. Para se ligar à rede das empresas, os funcionários em home office utilizam redes virtuais privadas, as VPNs. A tecnologia, usada por mais de 400 milhões de pessoas no mundo, impede o acesso de dispositivos não seguros ao ambiente digital corporativo. O problema é que essas camadas de proteção viram um cobertor curto quando o usuário se conecta a redes públicas, como o Wi-Fi de um condomínio. Nessa situação, um arquivo malicioso pode quebrar a segurança do dispositivo e pôr em risco a segurança de dados.

Fonte: Exame

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Com fim do acordo na Opep, começa uma nova era na indústria do petróleo

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A partir desta quarta-feira, 1º de abril, os membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e a Rússia poderão produzir o volume de óleo que bem entenderem: o acordo que ficou conhecido como Opep+, que previa controle da produção pelos envolvidos e consequente alinhamento das cotações da commodity, acabou nesta terça-feira, 31.

Com isso, sobram incertezas acerca do futuro das petroleiras ao redor do mundo, afinal, a tendência é de um longo período de preços em baixa.

O impacto de curto prazo virá no balanço das empresas referente ao primeiro trimestre. Com os preços do Brent (referência do mercado) oscilando entre 20 e 25 dólares — queda de mais de 60% desde o início do ano –, o caixa das petroleiras será brutalmente impactado. Analistas já apontam que não é impossível um cenário de barril cotado a 10 dólares.

Fonte: Exame

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Oito megatendências ecológicas para o mundo pós coronavírus

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O desenrolar da pandemia de coronavírus ainda é um mistério. Mas podemos afirmar que esse episódio deixará marcas profundas na humanidade. O período de angústia, sofrimento e perdas deve gerar um grande trauma em escala global. Toda a geração que passou por isso ficará marcada e sairemos dessas com novas visões de mundo.

É possível que a crise dure muito. Para administrar a velocidade de contágio e tentar evitar o colapso dos sistemas de saúde, autoridades de vários países manterão a população em estado de distanciamento social ou quarentena em sucessivas ondas de maior e menor restrição. Até a proporção de pessoas imunes reduzir o risco da doença. Ou até a chegada de uma vacina, que pode demorar anos para ser inventada e produzida em larga escala. Especialistas em epidemiologia começam a calcular que o período de exceção que vivemos pode se estender até o fim de 2022.

É um período longo de home office, restrição de atividades com multidão, redução de viagens aéreas e outras grandes alterações em nossos meios de produção, convívio familiar e entretenimento. Vai transformar radicalmente as economias, os serviços, as tecnologias, os hábitos, o nosso paradigma de sociedade. Naturalmente, qualquer exercício de futurologia agora é arriscado. Mas já é possível vislumbrar algumas grandes tendências do mundo que virá por aí. Muitas delas coincidem com a visão de uma humanidade que usa de forma mais sustentável os recursos naturais do planeta.

Talvez a crise do coronavírus, que deve durar alguns anos, acelere a transição da sociedade para formas de viver e produzir que nos ajudem a lidar com outra crise global – a das mudanças climáticas – que certamente vai durar pelos próximos séculos.

Maior credibilidade da ciência, principalmente em sua capacidade de antecipar perigos. Menos espaço para negacionistas.

Isso já está acontecendo. Os cientistas alertaram que uma epidemia dessas poderia ocorrer. Também anteciparam algumas das consequências de deixar essa epidemia correr solta. Os que tentaram negar as evidências e estimativas dos cientistas foram obrigados a voltar atrás, rapidamente derrotados pelos fatos. Os cientistas vêm alertando para outros riscos, como na área ambiental. É provável que a lição trágica de tentar negar o conhecimento e os alertas científicos seja aprendida por muitos líderes e por cidadãos comuns.

Seria um grande ganho para todos, porque poderíamos parar de gastar energia tentando convencer um grande número de desinformados que o consenso científico não vem por acaso e dedicar tempo e recursos preciosos para resolver os problemas, ou reduzir seus danos. “Nós vimos as terríveis consequências daqueles que rejeitaram os avisos da pandemia. Não podemos mais arcar com as consequências da negação das mudanças climáticas”, afirmou por tuíte o ex-presidente americano Barack Obama no dia 31 de março.

Valorização das coisas simples versus consumismo

Estamos passando por momentos de grande angústia e incerteza. Estamos lutando por nossas vidas, e pela vida das pessoas que amamos. Estamos sacrificando nosso conforto (ficando em casa) e boa parte de nossas riquezas (optando por medidas com impacto econômico) para isso. Estamos todos fazendo a escolha de valorizar a vida antes de qualquer opção financeira. Mesmo assim haverá sofrimento. Depois disso viveremos dias difíceis e longos de empobrecimento generalizado, dificuldades materiais.

Mas será possível saber que superamos um desafio gigante. Essa experiência forte já está levando algumas pessoas a valorizar as relações humanas, a família, pequenos prazeres, objetos do dia-a-dia, aquilo que temos em casa. Para suportar a angústia e a incerteza, as pessoas estão buscando engrandecimento espiritual, pensando mais em aproveitar o presente. Haverá um resgate de estilos de vida simples, mais focados nas relações humanas, na saúde e na felicidade, e menos na acumulação de bens tidos como supérfluos.

A expansão das atividades humanas que dispensam o deslocamento físico

Sim. Quando o longo período de distanciamento social passar, voltaremos a nos encontrar, a viajar, a participar de eventos com multidões. Mas a conquista dos meios de comunicação remotos veio para ficar. Durante os longos meses de contenção da epidemia, desenvolveremos formas eficazes de trabalhar, fazer compras, falar com os amigos, tudo à distância. Descobriremos que muitas viagens de carro e de avião são desnecessárias mesmo. Empresas, negócios e trabalhadores vão se ajustar para trabalhar em casa.

Durante a retomada, com a economia retraída, será mais difícil encontrar posições de trabalho estáveis, e mais gente permanecerá em casa, com tarefas esporádicas remuneradas. Isso tudo trará um ganho de redução de trânsito. Queimaremos menos combustível à toa, perderemos menos tempo no congestionamento, deixaremos o ar das cidades mais limpo.

Aumento da solidariedade

A epidemia ameaça a todos. Controlar a velocidade de contágio não depende só de uma pessoa ou uma família. É um esforço coletivo. Toda pessoa que respeita o espaço do outro na fila do supermercado está ajudando. Quem deixa de sair de casa ou toma cuidado com a distância do outro na rua. Estamos vendo manifestações gerais de solidariedade com doações materiais, com esforços conjuntos de empresas para desenvolver material de higiene ou equipamentos médicos. Estamos vendo vizinhos se organizado para usar as áreas livres do prédio ou para fazer compras para quem está preso em casa.

É comprovado que hábitos e práticas mantidos com regularidade por um tempo sustentado, reforçadas por incentivos positivos como elogios e sensação de segurança, tendem a se firmar. Isso significa que a sociedade com um todo está adquirindo mais solidariedade. Quando a crise específica do Covid-19 passar, essa confiança recíproca adquirida – ou nosso capital social – será mantido.

Essa capacidade conjunta naturalmente será aplicada para resolver outras questões que afetam a todos, como muitos dos desafios ecológicos. Isso será importante para lidar com os problemas ambientais que envolvem o uso equilibrado de recursos compartilhados, como rios, oceanos, florestas ou mesmo a atmosfera da Terra no caso das mudanças climáticas.

Compreensão de que o mundo está conectado

Os países bem que tentaram fechar suas fronteiras, para reduzir a velocidade do contágio. Mas é uma medida paliativa. Só será possível eliminar o risco do Covid-19 quando todos os países conseguirem exterminar o vírus. Outras doenças também dependem a colaboração internacional para serem contidas e não se expandirem numa pandemia, como esta. As informações científicas e as experiências de estratégias para conter a epidemia também circulam entre os países. Esse é um problema claramente global. As grandes questões ecológicas da atualidade também têm essa característica.

As emissões dos SUV com um passageiro nos Estados Unidos e do desmatamento na Amazônia brasileira estão alterando o clima do planeta inteiro, provocando elevação desastrosa do nível do mar em Bangladesh e agravando os incêndios florestais na Austrália. Ainda estamos no início da crise da pandemia. Quando ela tiver passado, é possível que esteja mais claro que a segurança de cada país depende, em boa parte, na estabilidade do resto do planeta.

Crítica à produção industrial de animais que dá origem a novas doenças

Ninguém está falando muito disso agora. Mas muitos dos processos de produção industrial de animais criam vulnerabilidades para o surgimento de doenças potencialmente catastróficas. O Covid-19 provavelmente veio de práticas de armazenar animais selvagens presos em jaulas sem condições de higiene, para consumo humano na China.

Havia muitos alertas científicos que o consumo de animais silvestres com aquela falta de cuidados poderia dar origem a um patógeno desses. Mas não havia vontade política para agir. Agora, a prática foi abolida pelo governo chinês. Mas ainda precisamos lidar com as fábricas de proteína animal.

Os sistemas industriais de produção animal são fontes potenciais permanentes de novos vírus capazes de gerar pandemias piores do que a atual. A gripe suína H1N1 de 2009 parece ter surgido em uma operação de confinamento nos EUA. A gripe viária H5N1 de 1997 saiu de granjas na China. Outras gripes viárias perigosas surgiram nos EUA, na Índia e na China. Foram sufocadas com o sacrifício rápido de criações inteiras de frangos antes que se espalhassem pelos humanos. É um risco permanente.

As condições de criação envolvem animais com pouca variedade genética, submetidos a condições de baixa imunidade. A revista científica American Journal of Public Health alertou em editorial de 2007 que a produção industrial de animais poderia ser a origem da próxima grande pandemia. Nunca foram levados a sério. Agora, diante do trauma do Covid-19, as autoridades e, principalmente os consumidores, deverão questionar a necessidade de medidas de precaução. Elas envolvem grandes mudanças na lógica da produção em massa. Mas o mundo já está virando de cabeça para baixo de qualquer forma.

Menos ar condicionado e mais janelas abertas

O sol e o ar puro estão sendo louvados como fatores de prevenção ao contágio do Covid-19. Estamos sendo orientados a desligar o ar condicionado nas residências e áreas comerciais, abrir as janelas e deixar o ar de fora entrar. A mesma orientação vale para quem circula de carro. Desligue o ar e abra as janelas.

O uso excessivo de ar condicionado – com seus filtros de pólen nem sempre impecavelmente limpos – está associado a doenças respiratórias e alérgicas. É claro que o ar condicionado oferece conforto nos dias mais quentes. Ele será necessário para as cidades cada vez mais quentes com as mudanças climáticas.

Mas os meses de confinamento e cuidados com o ar viciado dos ambientes fechados provavelmente trarão a valorização de projetos arquitetônicos que aproveitam a circulação natural de ar, renovando o ambiente com o frescor de fora. Isso será bom não só para nossa saúde. A redução no uso do ar condicionado também diminuirá o consumo de energia e o vazamento para a atmosfera de gases refrigeradores com alto potencial de efeito estufa. Respiraremos melhor.

Valorização das áreas naturais

Semanas ou meses de confinamento dentro de apartamentos, olhando para a paisagem urbana na janela. Enfrentando angústia e perdas. As pessoas já estão manifestando desejo de maior contato com a natureza. As famílias que podem estão escolhendo passar o período de quarentena em casas de campo ou na praia, em contato com a natureza.

Passeios em áreas naturais ou perto de cenários como montanhas, lagos ou praias reduzem o estresse no período de distanciamento social. Os ambientes naturais sabidamente oferecem sensação de paz nos momentos difíceis. Observar o ciclo natural ou movimentos simples como uma formiga subindo uma árvore ajuda a oferecer conforto para quem perdeu uma pessoa querida.

O ar puro e a paisagem natural têm efeito reconhecido para a saúde mental, para recompor a imunidade. Muitas cidades fecharam o acesso aos parques públicos urbanos, privando os cidadãos desses espaços verdes. A privação irá aumentar a valor desses metros quadrados de natureza sobreviventes nas grandes cidades.

É claro que isso não compensa o imenso sofrimento humano que estamos vivendo e vamos viver. Também seria ingenuidade pensar que todas as lições dessa epidemia tornarão nossas sociedades mais saudáveis. Mas a resiliência das famílias, das comunidades e dos países reside em sua capacidade para aprender com a dor e buscar mais sustentabilidade. Com sorte, a humanidade sairá um pouco mais sábia desse episódio.

Fonte: Exame

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Hiperssuperfícies: A ascensão das paredes inteligentes

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Hiperssuperfícies

Há poucos dias, você viu como as metassuperfícies transformaram as antenas parabólicas em espelhos planos – uma metassuperfície consiste em uma placa plana composta por uma matriz de antenas especiais que manipulam as ondas de uma forma que nenhum material natural consegue.

Pois acaba de nascer a próxima geração dessas superfícies ativas, capazes de manipular ondas de todos os tipos, de luz e som a ondas sísmicas, de forma totalmente controlada.

A novidade está sendo chamada de “hiperssuperfície” por Costas Soukoulis e demais membros de um projeto financiado pela União Europeia, chamado VisorSurf, que anteviu o enorme impacto que os materiais artificiais podem ter sobre a tecnologia.

Apesar de extremamente promissoras, as metassuperfícies feitas até agora precisavam ser fabricadas especificamente para uma função especializada – uma antena, um instrumento científico ou a manipulação de luz dentro dos processadores, por exemplo.

As hiperssuperfícies apresentadas agora pela equipe europeia, por sua vez, são programáveis, agrupando em uma única metassuperfície uma série de funções eletromagnéticas, que podem ser controladas e reconfiguradas por software.

Hiperssuperfícies: A emergência das paredes inteligentes
Estrutura conceitual de uma hiperssuperfície. [Imagem: Visorsurf]

Como as hiperssuperfícies funcionam

Os pesquisadores começaram modelando as diferentes maneiras pelas quais as diversas metassuperfícies tradicionais controlam as ondas eletromagnéticas. Eles então estudaram a interação entre essas funcionalidades para encontrar maneiras de combiná-las em uma única metassuperfície.

O material consiste em uma rede de antenas e controladores miniaturizados, construídos sobre o substrato em uma estrutura de matriz. Essa malha interligada permite que cada componente individual receba comandos de um programa via Wi-Fi, celular ou computador.

Os comandos são passados aos controladores, que por sua vez operam uma variedade de comutadores (chaves) para fazer alterações na hiperssuperfície, fornecendo as alterações necessárias ou desejadas em seu comportamento eletromagnético.

A equipe também está explorando o uso de um meio de controle baseado no grafeno – um nanomaterial com apenas um átomo de carbono de espessura – para fornecer um controle ainda mais preciso e lidar com comprimentos de ondas menores.

Para viabilizar o uso das hiperssuperfícies por não especialistas, a equipe está traduzindo os avançados conceitos físicos subjacentes à manipulação das ondas eletromagnéticas – como índices de refração negativos – por funções em uma biblioteca de software. Isso significa que qualquer desenvolvedor poderá usar as hiperssuperfícies para integrar recursos em seus aplicativos ou equipamentos, sem conhecimento prévio da física envolvida.

Hiperssuperfícies: A emergência das paredes inteligentes
Esquema de programação das superfícies inteligentes. [Imagem: Visorsurf]

Ambientes inteligentes

A equipe prevê que essas superfícies programáveis permitirão vincular redes com objetos e ambientes físicos, criando sistemas inteligentes muito mais responsivos às demandas dos usuários. Paredes que absorvem radiação, reforcem sinais ou bloqueiam a escuta digital, carregamento sem fio a longa distância de dispositivos e sinais de Wi-Fi que não se degradam dentro de edifícios estão entre as muitas possibilidades.

De forma mais genérica, a possibilidade de programação de como as superfícies podem reagir às ondas eletromagnéticas terá uso em automação, operação remota de equipamentos, comunicações, imageamento médico e segurança.

“[Nosso trabalho] pode viabilizar ambientes inteligentes em qualquer escala, das comunicações sem fio em ambientes internos aos equipamentos de imageamento médico. As hiperssuperfícies [também] conseguiram trazer as capacidades das metassuperfícies para a internet das coisas,” disse o professor Soukoulis, que é um dos criadores do que ele gosta de chamar de “materiais canhotos“, porque esses materiais artificiais podem apresentar índices de refração negativos, o que permite que eles sejam usados para construir mantos de invisibilidade, por exemplo.

Fonte: Inovação Tecnológica.

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Nos 78 Anos de História, o Senge-CE Relembra o Legado de Um dos Principais Fundadores do Sindicato

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Em 30 de março de 1942, era criado o Sindicato dos Engenheiros no Estados do Ceará, entidade de representação dos profissionais da engenharia, agronomia, geografia, geologia, meteorologia, tecnólogos e arquitetura. Antes disso, como associação e com status de junta governativa, o futuro Senge-CE já ocupava desde a década de 1930 uma sala no Clube de Engenharia do Estado do Ceará.

“Os engenheiros, na época, precisam de uma representação sindical assim como de um espaço de confraternização. Foi por isso que nós passamos a nos reunir numa casa lá na Rua Senador Pompeu. Lá, o espaço era dividido entre clube, para conversar, jogar, trazer as famílias, e entre o que se tornaria o sindicato no futuro”, conta um dos construtores dessa história, o primeiro presidente do Sindicato, José Walter Barbosa Cavalcante.

Um dos construtores do Ceará É impossível contar a trajetória da engenharia no estado sem citar José Walter. Aos 92 anos, o engenheiro civil formado pelo Instituto Mackenzie, em São Paulo, foi um dos fundadores não só da associação, mas também do Clube de Engenheiros do Estado do Ceará e até da Escola de Engenharia da Universidade do Ceará (EEUC), de 1955. “Elaborei a prova do primeiro vestibular de engenharia da Escola. Foram 12 aprovados na época, para a primeira turma”, narra Cavalcante, que se tornou também professor da instituição.

A história de um dos bairros mais emblemáticos de Fortaleza também começa por José Walter Barbosa Cavalcante. Prefeito de Fortaleza entre 1967 a 1971, em plena ditadura militar, foi dele a ideia de construir o maior conjunto habitacional da América Latina daquele tempo. Isso amenizaria o problema da falta de moradia para fortalezenses, uma grande preocupação da época. Assim, em 1968, sob a gestão do engenheiro, a prefeitura comprou por dois milhões de cruzeiros um terreno situado ao sul da cidade, onde seria construído o Núcleo Habitacional Integrado de Mondubim. Anos mais tarde, por projeto de lei da Câmara Municipal, o lugar seria rebatizado como Bairro Prefeito José Walter.

“Eu nem queria que o bairro tivesse meu nome. Nunca tive essa vaidade. Mas o vereador José Raimundo Linhares aproveitou uma viagem minha para a Alemanha e mudou o nome do bairro. Fiquei lisonjeado, claro. É um lugar que tenho muito carinho. Já fiz muitas visitas e acompanho o progresso do Bairro José Walter”, conta o ex-prefeito. No projeto desenhado pelo arquiteto Marrocos Aragão, José Walter fez questão de garantir que as casas tivessem espaço para muro, pois, afinal, “todos querem um quintal”, afirma. De acordo com o censo do IBGE de 2010, o bairro já tinha quase 34 mil habitantes divididos entre 9.593 domicílios. Neste ano, o bairro completa 50 anos de existência.

Além de fundar o Clube dos Engenheiros, o Sindicato, o curso de engenharia e o bairro que leva seu nome, José Walter também foi diretor da Estrada de Ferro e do Banco do Estado do Ceará. Apaixonado por ferrovias, ele lembra com carinho da construção da estrada de ferro que liga o Ceará ao Piauí e da linha Expresso Asa Branca, que interligava Fortaleza e Recife. A última entrou para a história quando, em 1975, colocou em funcionamento o trem Sonho Azul, uma locomotiva com estrutura luxuosa, com restaurante, serviço de bordo e até ar-condicionado que interligou os dois estados por dois anos.

Atualmente aposentado, José Walter passa os dias apreciando o pôr-do-sol da sua varanda, à beira-mar e analisando o crescimento da cidade. Pai de cinco filhas, sendo duas delas engenheiras, ele ressalta a importância do clube e do sindicato para a categoria daqueles que constroem as cidades e tecnologias: “São essas organizações que sempre tomam a frente em todas as iniciativas para a classe, e isso é indispensável”.

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“O Desafio Hoje é Chegar Aos Mais Jovens”, Diz Presidente do Senge-ce Sobre Principais Demandas do Sindicato

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Atual presidente do Sindicato dos Engenheiros no Estado do Ceará (Senge-CE), não é de hoje que Teodora Ximenes atua no movimento sindical. A engenheira civil teve atuação essencial ao longo da carreira e colaborou com a gestão que conseguiu a sede própria para o Senge-CE, em 1983, uma das maiores conquistas da entidade.

“O Senge-CE saiu do centro da cidade e foi para a Praia de Iracema. Foi um grande ganho para o Sindicato que vivia de aluguel. Com a sede, passamos a fazer um trabalho para além do sindicalismo, como cursos, treinamentos, planos de saúde, trabalho cultural”, calcula a presidente.

 

A profissionalização como trabalho social

O espaço físico possibilitou ao Sindicato a criação de um CoWorking, ofertado aos profissionais, de um amplo auditório para conferências e até do Centro Vocacional Tecnológico (CVT) próprio. Com o CVT, a entidade pretende a realização de um trabalho social de extrema importância para comunidade: o de profissionalização da mão-de-obra do entorno da Praia de Iracema.

 

“Antes, só fazíamos trabalho com os engenheiros, mas agora nós voltamos o olhar para a comunidade no entorno do Senge-CE. A ideia é oferecer cursos e profissionalizar os jovens de 18 a 25 anos. Já temos até indicativo de contratação desse pessoal, caso tenhamos cursos com certificação. Mas nada fechado ainda. O importante é que eles estarão qualificados inclusive para trabalhar por conta própria”, analisa Teodora.

 

A aula inaugural do CVT do Senge seria realizada no dia 30 de março, data de comemoração do aniversário do Sindicato. No entanto, o início dos cursos foi adiado em decorrência das medidas preventivas indicadas pela Organização Mundial da Saúde para evitar a contaminação pelo novo coronavírus, o Covid-19. Após o período de isolamento social, Teodora Ximenes garante que todas as atividades devem ser reestabelecidas. “São duas turmas de 12 pessoas para os cursos de Manutenção de Celulares. Cada aluno vai receber o kit para usar nas aulas. A aula inaugural será a primeira coisa a fazer após a pandemia de coronavírus”, garante a Presidente.

 

O desafio de atrair novos engenheiros para o movimento sindical

As organizações sindicais perderam força com as transformações nas leis trabalhistas. Com a retirada da contribuição sindical obrigatória, estabelecida pela última reforma trabalhista (Lei nº 13.467/2017), as entidades perderam a principal fonte de recursos e agora precisam se reinventar para manter o trabalho em andamento. No Senge-CE, isso significou a criação de diversos benefícios, ofertados por meio de parcerias, como bolsas em cursos de pós-graduação, plano de saúde UNIMED, plano odontológico UNIODONTO, e assessoria jurídica. No entanto, essa desobrigação também corrobora para o afastamento dos novos profissionais que, por muitas vezes, até desconhecem o papel do Sindicato.

 

“O nosso plano é oferecer cursos extracurriculares como forma de aproximar os estudantes universitários. Os que se tornarem associados poderão desfrutar de parte dos benefícios oferecidos pelo Senge-CE, como o plano da Unimed e Uniodonto, por exemplo, além de outras vantagens. Queremos trazer essas novas gerações, que estão nas universidades para que eles sejam atuantes, e para que possam ser a nossa voz lá fora”, afirma Teodora.

 

A presidente lembra ainda do papel fundamental que a sindicalização tem para os profissionais e reafirma que a tática adotada pelo Senge-CE tem sido inovar-se para atrair benefícios e, assim, sindicalizados. “Somos uma instituição histórica. E, numa época de crise, temos que buscar inovação para que possamos permanecer na ativa. Por isso, estamos inovando sempre. Vamos fazer 80 anos no final da nossa gestão e eu quero que tenhamos muito a comemorar. Que tenhamos um documentário ou algo do tipo celebrando as nossas conquistas”, finaliza.

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Comunicado Assembleia Geral

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Tendo em vista as restrições governamentais de saúde, em decorrência da pandemia do COVID-19, a Presidente do SENGE-CE – Sindicato dos Engenheiros no Estado do Ceará, em respeito às autoridades competentes, vem comunicar que a ASSEMBLEIA GERAL convocada para o dia 30 de março de 2020, está cancelada e transferida para outra data a ser anunciada oportunamente, após novas orientações governamentais.

Engª Civil Teodora Ximenes – Presidente

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Suspensão de Cursos

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Acatando prontamente as medidas das autoridades competentes sobre o combate a disseminação do COVID-19, o SENGE-CE comunica que estão suspensos todos os cursos e treinamentos.

Devido a essa suspensão, o SENGE-CE informa que, consequentemente, os sorteios de bolsas para cursos que estavam programados para acontecer entre os nossos sindicalizados, estão temporariamente suspensos.

Contamos com a compreensão de todos!

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