Radiação em Fortaleza chega a nível extremo

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A localização geográfica de Fortaleza, próxima à linha do Equador, requer cuidados especiais com a saúde da pele, já que a região está entre as que recebem maior incidência dos raios solares no planeta durante todo o ano. Nos próximos dias, contudo, o alerta para a prevenção é ainda maior. De acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), a capital cearense passará por exposições à radiação ultravioleta de nível 12, considerado extremo. A escala atinge um máximo de 15, mas a partir do nível 6 já considera-se alto o grau de incidência.

O panorama agrava-se pelas altas temperaturas, ausência de nuvens no céu, além da proximidade do período mais seco do ano, situações previstas para os próximos dias. Os níveis extremos de radiação significam maior efeito do sol na pele, situação que pode causar até queimaduras. De acordo com o presidente da Sociedade Brasileira de Dermatologia – Regional Ceará, Paulo Eduardo de Sá Gonçalves, apesar dos efeitos na radiação serem maiores entre as 10h e as 16h, eles ainda estão presentes desde o nascer ao por do sol.

Queimaduras

Existem dois tipos principais de radiação que afetam a pele: a UVA e a UVB. A primeira é responsável pelo surgimento de manchas, envelhecimento e câncer, enquanto a segunda é responsável pelas queimaduras.

O câncer de pele não melanoma, tipo mais registrado no Brasil, é uma das consequências mais graves da elevada exposição à luz solar. O especialista afirma que é perceptível um aumento no número de pessoas em Fortaleza com o diagnóstico da doença, mas cujas motivações para o aparecimento dos tumores ocorreram anos antes.

“Os efeitos da radiação ultravioleta vão se acumulando na pele ao longo do tempo. Por isso, esses casos que estamos detectando estão ligados à radiação de anos atrás, quando ainda havia uma forte cultura do bronzeamento. Toda radiação solar que uma pessoa recebe durante a vida se dá até os 20 anos de idade”, argumenta Paulo Eduardo de Sá Gonçalves.

Ele alerta para que as pessoas que estiveram muito expostas aos raios solares no passado devem procurar o dermatologista. Pessoas com pele mais clara também devem incluir rotineiras visitas ao especialista. O aparecimento de manchas devem despertar a investigação médica.

Apesar do aumento no índice de raios ultravioleta, o dermatologista explica que o sol não deve ser evitado a todo custo, mas é preciso que a população se eduque para conviver de forma mais equilibrada.

“O sol é nosso amigo. As pessoas tratam como se ele fosse um vilão, mas também traz benefícios para a nossa saúde. Para aproveitar o sol da maneira adequada, devemos tomar cuidados com o uso de proteção adequada, tanto de filtros solares, como de roupas com proteção ultravioleta, sombrinhas, guarda-sois e bonés”, explica.

FIQUE POR DENTRO

Risco de câncer preocupa especialistas

Com o aumento nos níveis de exposição à radiação ultravioleta, a preocupação de especialistas da saúde é que o número de casos de câncer de pele também cresça futuramente. O Instituto Nacional de Câncer (Inca) estima que, até o fim de 2016, espera-se 80.850 novas ocorrências da doença do tipo não melanoma nos homens brasileiros, enquanto 94.910 mulheres do Brasil devem sofrer com o problema.

Ainda de acordo com o Inca, 80% dos melanomas de pele estão associados à exposição aos raios ultravioletas, principalmente, naquelas pessoas de peles sensíveis, pele clara e peles com múltiplas sardas.

Para o dermatologista Paulo Eduardo de Sá Gonçalves, apesar do risco, a população hoje já tem mais consciência dos cuidados com a pele. “Há chances de aumento nos casos de câncer, mas diferente de gerações passadas, as pessoas já adotam mais o protetor solar, o que colabora com a prevenção”, afirma.

Fonte e imagem: Diário do Nordeste