Governo proíbe uso de água dos Açudes Banabuiú, Orós e Castanhão em projetos de irrigação

BANABUIU-ACUDE

Novas concessões de água da região do Vale do Jaguaribe e Banabuiú para projetos de irrigação em plantações acima de cinco hectares estão proibidas. A medida foi publicada na edição de quinta-feira (03.09) no Diário Oficial do Estado e visa à contenção de água para uso especificamente humano, já que os reservatórios estão sofrendo os efeitos do quarto ano de estiagem cearense, secando rapidamente e sem recargas.

Com a intervenção, apenas os agricultores que tenham plantação de até cinco hectares ou menos, podem fazer uso da água para irrigação do plantio. A ordem vale para as águas dos açudes Orós e Castanhão, ambos na região do Vale do Jaguaribe, e para o açude Arrojado Lisboa de Banabuiú, na região do Sertão Central, de onde a água era levada até outros municípios, pelo perímetro irrigado de Russas. Os agricultores quem já têm a outorga terão o fornecimento de água diminuído em 25%.

O assunto ganhou destaque esta semana pelo agravante do drama vivido pelo sertanejo cearense: a situação das águas do açudes do Ceará é crítica. Mais de 90% dos açudes do Ceara sofrem com a defasagem de água. Segundo dados do Portal Hidrológico do Ceará da Companhia de Gestão de Recursos Hídricos (Cogerh), órgão que realiza o monitoramento dos açudes no Estado, dos 139 açudes, 118 estão com volume inferior a 30%. Muitos chegam a associar o cenário atual com o ano de 1915, em que uma forte e severa seca atuou no Ceará, e que serviu como cenário para o livro “O Quinze”, da escritora quixadaense Rachel de Queiroz.

Uma das situações mais graves é o do Arrojado Lisboa, de Banabuiú (foto). Considerado o terceiro maior entre todos os reservatórios cearenses, hoje está apenas com 0.94% de sua capacidade. O cenário está gerando crise entre os pescadores e temor na população, que era acostumada com a fartura de água na cidade. A situação é bem diferente da qual passava em 2009, quando o Arrojado Lisboa, de tanta água que tinha acumulada, chegou a “socorrer” o Castanhão, que passou e agora também passa pela mesma situação. Recentemente, vários pescadores sofreram prejuízos com a mortandade dos peixes. E os efeitos do drama de quem já vive no interior cearense, poderá chegar a capital até ano que vem. Em reunião com o ex-ministro da Integração, Francisco Teixeira, o Conselho de Recursos Hídricos da Cogerh analisou que, se não houver chuva em 2016, Fortaleza e todos os municípios da Região Metropolitana poderão ficar sem água.

O cenário se agrave com denúncias de que empresários da região do Vale do Jaguaribe que não possuem outorga do Governo do Estado, estariam desviando as águas do manancial da região de forma ilegal, com o auxílio de motores-bomba, para irrigar grandes plantações comerciais. O Governo prometeu apurar o caso.

Para completar, os estudos de meteorologia da Fundação Cearense (Funceme), alertam para o fato de que o El Niño, fenômeno responsável por esquentar ás águas dos oceanos e diminuir a quantidade de chuvas no período de inverno, poderá atuar com uma força ainda maior, e semelhante a 1997, quando o Ceará também viveu um drástico período de seca.

 

Leia as notícias sobre o assunto veiculadas esta semana nos jornais cearenses.

Diário do Nordeste

> Capital pode ficar sem água caso não chova o suficiente LEIA AQUI.

> Estado vai apurar desvio de água para carnicicultura LEIA AQUI.

 

O Povo

> Concessões para uso de água suspensas nos vales do Jaguaribe e do Banabuiú LEIA AQUI.

 

Fonte: Assessoria de Imprensa do Senge-CE

Crédito da Foto: Gerlan Zacarias/Avelino Neto