
A possibilidade de interferência no sinal da TV digital pela telefonia móvel voltou a dominar o debate sobre a destinação da faixa dos 700 MHz, em audiência pública promovida pelo Conselho de Comunicação Social (CCS).
Para garantir a prestação dos dois serviços com qualidade, Jarbas Valente, presidente substituto da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), explicou todo o processo técnico necessário antes de ser desativado completamente o sinal analógico no Brasil e começar a funcionar o sinal digital – o que está previsto para julho de 2016.
Jarbas Valente detalhou os testes de campo e em laboratório realizados pela Anatel para avaliar as condições de transmissão e a convivência entre a TV e a tecnologia de quarta geração (4G). Pare ele, o desafio será assegurar uma boa recepção apenas com antenas internas. Para contornar o problema, a população será incentivada a usar antenas externas.
Além disso, aparelhos conversores e filtros contra interferência serão distribuídos às famílias cadastradas no Programa Bolsa Família, como estabelece a proposta de edital para a licitação da faixa.
Uma entidade ainda será criada para fazer a “limpeza” da faixa, porque algumas emissoras de TV ocupam a mesma frequência que será leiloada para as redes móveis. Os custos de limpeza da faixa serão calculados pela Anatel e divididos entre as empresas que vencerem o leilão.
Na opinião de Olímpio José Franco, presidente da Sociedade Brasileira de Engenharia de Televisão (SET), não há como evitar as interferências no sinal. Ele citou o exemplo da frequência usada pela polícia nas viaturas e ressaltou que o filtro não é perfeito.
Já para o presidente-executivo do Sindicato Nacional das Empresas de Telefonia (SindiTelebrasil), Eduardo Levy, é necessário determinar critérios de qualidade para definir o preço do leilão.
Ele destacou o crescimento da banda larga móvel no país, atualmente com 150 milhões de acessos, e o investimento das empresas. Nesse mercado competitivo, em que os produtos mais desejados são os que mais consomem banda, que é limitada, Levy destacou o fato de que no edital de licitação não há obrigação de cobertura em áreas remotas.
– Em médio prazo, a licitação da faixa de 700 MHz é a última oportunidade para atender áreas menos povoadas – disse.
Fonte: Agência Brasil