Atual presidente do Sindicato dos Engenheiros no Estado do Ceará (Senge-CE), não é de hoje que Teodora Ximenes atua no movimento sindical. A engenheira civil teve atuação essencial ao longo da carreira e colaborou com a gestão que conseguiu a sede própria para o Senge-CE, em 1983, uma das maiores conquistas da entidade.
“O Senge-CE saiu do centro da cidade e foi para a Praia de Iracema. Foi um grande ganho para o Sindicato que vivia de aluguel. Com a sede, passamos a fazer um trabalho para além do sindicalismo, como cursos, treinamentos, planos de saúde, trabalho cultural”, calcula a presidente.
A profissionalização como trabalho social
O espaço físico possibilitou ao Sindicato a criação de um CoWorking, ofertado aos profissionais, de um amplo auditório para conferências e até do Centro Vocacional Tecnológico (CVT) próprio. Com o CVT, a entidade pretende a realização de um trabalho social de extrema importância para comunidade: o de profissionalização da mão-de-obra do entorno da Praia de Iracema.
“Antes, só fazíamos trabalho com os engenheiros, mas agora nós voltamos o olhar para a comunidade no entorno do Senge-CE. A ideia é oferecer cursos e profissionalizar os jovens de 18 a 25 anos. Já temos até indicativo de contratação desse pessoal, caso tenhamos cursos com certificação. Mas nada fechado ainda. O importante é que eles estarão qualificados inclusive para trabalhar por conta própria”, analisa Teodora.
A aula inaugural do CVT do Senge seria realizada no dia 30 de março, data de comemoração do aniversário do Sindicato. No entanto, o início dos cursos foi adiado em decorrência das medidas preventivas indicadas pela Organização Mundial da Saúde para evitar a contaminação pelo novo coronavírus, o Covid-19. Após o período de isolamento social, Teodora Ximenes garante que todas as atividades devem ser reestabelecidas. “São duas turmas de 12 pessoas para os cursos de Manutenção de Celulares. Cada aluno vai receber o kit para usar nas aulas. A aula inaugural será a primeira coisa a fazer após a pandemia de coronavírus”, garante a Presidente.
O desafio de atrair novos engenheiros para o movimento sindical
As organizações sindicais perderam força com as transformações nas leis trabalhistas. Com a retirada da contribuição sindical obrigatória, estabelecida pela última reforma trabalhista (Lei nº 13.467/2017), as entidades perderam a principal fonte de recursos e agora precisam se reinventar para manter o trabalho em andamento. No Senge-CE, isso significou a criação de diversos benefícios, ofertados por meio de parcerias, como bolsas em cursos de pós-graduação, plano de saúde UNIMED, plano odontológico UNIODONTO, e assessoria jurídica. No entanto, essa desobrigação também corrobora para o afastamento dos novos profissionais que, por muitas vezes, até desconhecem o papel do Sindicato.
“O nosso plano é oferecer cursos extracurriculares como forma de aproximar os estudantes universitários. Os que se tornarem associados poderão desfrutar de parte dos benefícios oferecidos pelo Senge-CE, como o plano da Unimed e Uniodonto, por exemplo, além de outras vantagens. Queremos trazer essas novas gerações, que estão nas universidades para que eles sejam atuantes, e para que possam ser a nossa voz lá fora”, afirma Teodora.
A presidente lembra ainda do papel fundamental que a sindicalização tem para os profissionais e reafirma que a tática adotada pelo Senge-CE tem sido inovar-se para atrair benefícios e, assim, sindicalizados. “Somos uma instituição histórica. E, numa época de crise, temos que buscar inovação para que possamos permanecer na ativa. Por isso, estamos inovando sempre. Vamos fazer 80 anos no final da nossa gestão e eu quero que tenhamos muito a comemorar. Que tenhamos um documentário ou algo do tipo celebrando as nossas conquistas”, finaliza.