Nos 78 Anos de História, o Senge-CE Relembra o Legado de Um dos Principais Fundadores do Sindicato

Em 30 de março de 1942, era criado o Sindicato dos Engenheiros no Estados do Ceará, entidade de representação dos profissionais da engenharia, agronomia, geografia, geologia, meteorologia, tecnólogos e arquitetura. Antes disso, como associação e com status de junta governativa, o futuro Senge-CE já ocupava desde a década de 1930 uma sala no Clube de Engenharia do Estado do Ceará.

“Os engenheiros, na época, precisam de uma representação sindical assim como de um espaço de confraternização. Foi por isso que nós passamos a nos reunir numa casa lá na Rua Senador Pompeu. Lá, o espaço era dividido entre clube, para conversar, jogar, trazer as famílias, e entre o que se tornaria o sindicato no futuro”, conta um dos construtores dessa história, o primeiro presidente do Sindicato, José Walter Barbosa Cavalcante.

Um dos construtores do Ceará É impossível contar a trajetória da engenharia no estado sem citar José Walter. Aos 92 anos, o engenheiro civil formado pelo Instituto Mackenzie, em São Paulo, foi um dos fundadores não só da associação, mas também do Clube de Engenheiros do Estado do Ceará e até da Escola de Engenharia da Universidade do Ceará (EEUC), de 1955. “Elaborei a prova do primeiro vestibular de engenharia da Escola. Foram 12 aprovados na época, para a primeira turma”, narra Cavalcante, que se tornou também professor da instituição.

A história de um dos bairros mais emblemáticos de Fortaleza também começa por José Walter Barbosa Cavalcante. Prefeito de Fortaleza entre 1967 a 1971, em plena ditadura militar, foi dele a ideia de construir o maior conjunto habitacional da América Latina daquele tempo. Isso amenizaria o problema da falta de moradia para fortalezenses, uma grande preocupação da época. Assim, em 1968, sob a gestão do engenheiro, a prefeitura comprou por dois milhões de cruzeiros um terreno situado ao sul da cidade, onde seria construído o Núcleo Habitacional Integrado de Mondubim. Anos mais tarde, por projeto de lei da Câmara Municipal, o lugar seria rebatizado como Bairro Prefeito José Walter.

“Eu nem queria que o bairro tivesse meu nome. Nunca tive essa vaidade. Mas o vereador José Raimundo Linhares aproveitou uma viagem minha para a Alemanha e mudou o nome do bairro. Fiquei lisonjeado, claro. É um lugar que tenho muito carinho. Já fiz muitas visitas e acompanho o progresso do Bairro José Walter”, conta o ex-prefeito. No projeto desenhado pelo arquiteto Marrocos Aragão, José Walter fez questão de garantir que as casas tivessem espaço para muro, pois, afinal, “todos querem um quintal”, afirma. De acordo com o censo do IBGE de 2010, o bairro já tinha quase 34 mil habitantes divididos entre 9.593 domicílios. Neste ano, o bairro completa 50 anos de existência.

Além de fundar o Clube dos Engenheiros, o Sindicato, o curso de engenharia e o bairro que leva seu nome, José Walter também foi diretor da Estrada de Ferro e do Banco do Estado do Ceará. Apaixonado por ferrovias, ele lembra com carinho da construção da estrada de ferro que liga o Ceará ao Piauí e da linha Expresso Asa Branca, que interligava Fortaleza e Recife. A última entrou para a história quando, em 1975, colocou em funcionamento o trem Sonho Azul, uma locomotiva com estrutura luxuosa, com restaurante, serviço de bordo e até ar-condicionado que interligou os dois estados por dois anos.

Atualmente aposentado, José Walter passa os dias apreciando o pôr-do-sol da sua varanda, à beira-mar e analisando o crescimento da cidade. Pai de cinco filhas, sendo duas delas engenheiras, ele ressalta a importância do clube e do sindicato para a categoria daqueles que constroem as cidades e tecnologias: “São essas organizações que sempre tomam a frente em todas as iniciativas para a classe, e isso é indispensável”.