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Seca afeta colheita e poços de índios

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CIDADE

A crise hídrica do Estado afeta quem reside na Capital e também quem mora em outros locais da Região Metropolitana de Fortaleza (RMF). Em comunidades indígenas dos municípios de Caucaia e Maracanaú, a colheita das hortaliças e raízes está prejudicada devido à ausência de irrigação. Mesmo vivendo às margens de rios e açudes, além de usar poços, a situação se complica com a redução de chuvas.

Em Caucaia, onde vive o povo Tapeba, o que preocupa é a água retirada dos poços. Segundo o indígena Antônio Ricardo Dourado, da liderança comunitária, a água é salgada. Lá, 2 mil famílias dependem dos reservatórios para usar em casa. “Tem local que dá pra tirar água boa, mas a maioria dos poços está salobra. As comunidades que existem na zona urbana conseguem se salvar com a Cagece”, conta.

Benefício
Em Maracanaú e Pacatuba, onde está a comunidade Santo Antônio dos Pitaguary, os índios sofrem com a colheita fraca. O que ganham com benefícios federais, como o seguro-safra, é utilizado na compra de alimento. Manoel dos Santos Barros, líder indígena, diz que a distribuição de água deixa a desejar. Ao todo, 150 famílias residem na localidade. Barros calcula o volume total do açude em 60%.

A falta de água é apenas um dos processos que dificultam a sobrevivência da população e das culturas indígenas. Na avaliação do professor da Universidade Federal do Ceará (UFC), José Mendes Fonteles Filho, doutor em Educação Indígena, o enfrentamento se complica pela falta de terras e redução dos territórios das reservas. “No passado, os índios eram nômades e viviam na extensão de todo território. Os microssistemas e biomas se regeneravam sozinho. A colonização tirou isso. Acuando eles em reservas”, declara.

Como solução, o especialista aponta que medidas devem se pensadas com a ajuda das comunidades. “É preciso fazer políticas públicas flexíveis, fundadas no diálogo, onde eles sejam protagonistas. Os índios possuem técnica para encontrar água até em regiões desérticas”, salienta.

Transformação
Para o professor, qualquer fator que interfira na subsistência dessa população pode prejudicar a vida cultural e as tradições dos povos. “Os índios, além de sobreviverem da floresta, mantêm ela em constante transformação, seja pelo plantio ou caça e pesca”.

Segundo o líder indígena Manoel, a falta de chuva em Maracanaú ocasionou a perda do plantio de milho, mandioca, feijão e macaxeira até para o consumo básico. Atualmente, boa parte das famílias indígenas vivem com o bolsa família para comprar alimentos. Ele diz que a Defesa Civil ajuda com carros-pipa.

A Fundação Nacional do Índio (Funai) informou, por meio de nota, que na cidade de Caucaia, o abastecimento na maioria das aldeias é feito pela Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece). Nos povoados sem acesso à rede da Companhia, a Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) se encarrega de perfurar poços.

Situação
A Funai lembra que, em Maracanaú e Pacatuba, as aldeias Olho d’água, Monguba e Horto são abastecidas pela Cagece. Já a Aldeia do Santo Antônio, depende de poços. “A comunidade possui cinco poços profundos, sendo que apenas um está em funcionamento e em situação precária”. A Fundação destaca que “o sistema de distribuição é antigo, apresentando falhas constantes e foi desenvolvido para 80 famílias, o que dificulta o acesso pleno ao consumo”.

Já a Cagece informou não possuir rede ativa de abastecimento na comunidade Pitaguary. Nos Tapebas, a distribuição de água acontece em regime de contingência, com abastecimento alternado, devido à escassez hídrica; próximo à sede do município, a distribuição é normal.

Fonte: Diário do Nordeste

Foto: Cid Barbosa

Felipe

O Autor Felipe

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