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Rio Poti estaria recebendo rejeitos de minério de empresa em Quiterianópolis

Notícia Rio Poti

As chuvas que banham o Município de Quiterianópolis, na região dos
Inhamuns, levam para o Rio Poti, um dos principais cursos de água do
Estado, rejeitos de minério de ferro oriundos da mineradora Globest,
que explorou uma área na Serra do Besouro, entre 2011 e 2012. A
informação foi denunciada pelo jornal Diário do Nordeste desta
quarta-feira (13).

O dano ambiental é visível e traz preocupação para os moradores, que
relatam aumento da incidência de doenças dermatológicas e
respiratórias após a implantação do empreendimento. A empresa também
teria desviado parte do curso do rio, aterrando uma área para dar
acesso ao canteiro de obras, segundo os moradores.

Os rejeitos acumulados na mineradora e em seu entorno escorrem por
valas escavadas pela empresa, na localidade de Bandarro, zona rural de
Quiterianópolis. Quem passa ao lado da Rodovia CE-187, após o acesso à
cidade de Quiterianópolis em direção a Novo Oriente, percebe parte da
Serra do Besouro devastada e maquinários instalados. Ali, funcionou
por seis anos, de forma intensiva e mecânica, a exploração de minério
de ferro. Quando chove de forma mais intensa, a lama de coloração
vermelha e preta atinge o leito do Rio Poti.

O secretário de Gestão e Articulação Política do Município de
Quiterianópolis, Manoel Coutinho, disse que o Município está
preocupado com os rejeitos que descem em direção ao Rio Poti e que
podem chegar ao Açude Flor do Campo e prejudicar o abastecimento da
cidade de Novo Oriente, além de atingir os agricultores ao longo do
curso do rio. “Não sabemos exatamente o que tem naquela lama e que mal
pode nos trazer”, pontuou. No próximo dia 31, haverá uma reunião na
cidade para discutir que providências adotar sobre os rejeitos
deixados pela mineradora.

Em 17 fevereiro passado, uma forte chuva evidenciou a gravidade do
dano ambiental: rejeitos de minério de ferro desceram da serra,
encheram as valas e escorreram para o leito do Rio Poti. Alguns
moradores ficaram assustados. “Essa lama vai prejudicar ainda mais as
terras agrícolas, a produção”, observou João de Macedo. “As barragens
de contenção não aguentam mais a água da chuva”, alerta ele, lembrando
o desastre de Brumadinho, em Minas Gerais. Os moradores acreditam que
a ausência de chuvas fortes nos últimos anos evitou o agravamento do
dano ambiental.

O Movimento pela Soberania Popular na Mineração (MAM) reforça que a
exploração em Quiterianópolis é ‘um novo Brumadinho’, porquanto os
rejeitos do minério de ferro são arrastados das unidades de contenção
e das valas pelas chuvas para o Rio Poti.

A Promotoria de Justiça de Quiterianópolis, em dezembro de 2017,
remeteu ao Ministério Público Federal cópia do procedimento
extrajudicial levado a efeito pelo Ministério Público do Estado do
Ceará com o objetivo de apurar irregularidades praticadas pela
mineradora Globest Participações LTDA. O Órgão firmou um Termo de
Ajustamento de Conduta (TAC) em que a empresa se comprometeu a cumprir
exigências legais. Porém, posteriormente teve a licença de operação
suspensa pela Superintendência Estadual do Meio Ambiente (Semace) por
descumprimento do termo.

Para o MPCE, a competência de apurar as irregularidades seria do
Ministério Público Federal (MPF) por haver exploração de minério de
ferro (bem federal) de forma ilegal. O MPF esclareceu por meio da
Procuradora da República, Ília Freire Fernandes Borges Barbosa, que
declinou de competência para o MPCE com base em informações de que o
curso do Rio Poti no Município de Quiterianópolis é de domínio
estadual.

Enquanto ocorre o imbróglio judicial, a Globest responde a três
processos criminais ambientais em Quiterianópolis e um em Sobral. Um é
de crime contra o meio ambiente e três por usurpação de águas. A
Semace informou que a mina de minério de ferro do município está com
as atividades paradas desde 2017 e sem previsão de retorno.

(Fonte: jornal Diário do Nordeste)

Assessoria de comunicação

O Autor Assessoria de comunicação

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