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O sucesso, desafios e ´perigos´ na indústria das energias renováveis

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A reportagem ouviu Governo, empresários e pesquisadores sobre as mudanças que as fontes de energia limpa trazem

energias_renovaveisO Brasil é o 15º país do mundo em capacidade de energia eólica instalada Foto: Alcides Freire

Aproximadamente 80% da energia produzida no mundo, até 2050, serão de fontes renováveis, conforme dados do Painel Intergovernamental para Mudanças Climáticas (IPCC), na sigla em inglês. O Ceará está na vanguarda desse negócio e conta, atualmente, com 19 parques eólicos em operação e a maior usina de energia solar fotovoltaica do País. Investimentos em fontes de energia limpas estão sendo discutidos e amplificados durante a sétima edição da All About Energy, que termina hoje, no Centro de Eventos do Ceará.

Para o presidente da Agência de Desenvolvimento do Estado do Ceará (Adece), Roberto Smith, o evento, uma realização do Governo, por meio da Secretaria da Infraestrutura (Seinfra) e da Adece, já está na sua sétima edição e se projeta como “muito importante” para o Ceará em função daquilo que o Estado já tem como potencial de geração de energia eólica e solar.

De acordo com Elbia Melo, presidente executiva da Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica), o All About Energy possui grande relevância no setor ao proporcionar discussões técnicas e reunir empresários com foco nos investimentos em energia renováveis. A executiva afirmou que o Ceará é pioneiro no desenvolvimento de parques eólicos comerciais no Brasil e o crescimento da economia e a realização de leilões de energia elétrica, podem fazer com que a fonte eólica continue em expansão e colabore cada vez mais com a segurança do suprimento de energia no País.

Elbia Melo destacou que as estimativas do Ministério de Minas e Energia (MME) indicam que a fonte eólica brasileira terá 16 Gigawatts (GW) instalados em 2021, participando com 9% na matriz elétrica. Segundo Roberto Smith, no Ceará, a Adece tem trabalhado para melhorar todo o processo de desenvolvimento eólico, por meio de parcerias com universidades e outros órgãos de pesquisa, visando a estruturação da área. “O túnel de vento está pronto, a área de certificação de anemômetro, também. Estamos em processo de licitação para o segundo mapa eólico do Ceará, pois o de 2001 está superado”.

Os dados da Abeeólica indicam que o Ceará é o Estado que mais gera energia eólica para o sistema, atualmente, com cerca de 1,3 GW em projetos que entrarão em operação até 2017. Segundo Elbia Melo, são mais de R$ 4,5 bilhões em investimentos até 2017. Já o Rio Grande do Norte, possui cerca de 2,6 GW que deverão entrar em operação até 2017 em função de participações do Estado em leilões realizados em 2011.

Impactos

Para além dos benefícios da geração de energia limpa, a construção de parques eólicos em dunas móveis no Ceará e Rio Grande do Norte e, também, em áreas de mata preservadas da Caatinga, como o que ocorre na Bahia, tem levantado a discussão sobre a necessidade de uma regulamentação para minimizar os impactos ao meio ambiente na instalação de aerogeradores.

Conforme a diretora da Abeeólica, o licenciamento ambiental tem várias fases e serve para mitigar os impactos ambientais e proporcionar os menores índices de intervenção na natureza. “Para que a fonte eólica continue com seu crescimento virtuoso e aumente a sua contribuição como fonte renovável e limpa na matriz elétrica é muito importante que seu desenvolvimento continue possuindo como pré-requisito o licenciamento ambiental em todas as suas fases”, disse Elbia Melo.

O professor do Departamento de Geografia da Universidade Federal do Ceará (UFC) e doutor em Geografia Física em Áreas Costeiras, Jeovah Meireles, afirmou que a construção de parques eólicos em áreas de dunas causa grandes impactos ao meio ambiente. “O primeiro está relacionado aos ecossistemas costeiros, com a degradação do campo de dunas, extinção de lagoas, desmatamento de dunas físicas e degradação do ecossistema manguezal”.

Além desses problemas, Meireles afirma que a impermeabilização e construção de vias de acesso para grandes caminhões fazem com que o monitoramento dos aerogeradores também seja prejudicial. “Passa-se de um campo de dunas que alimenta a praia com areia, minimizando a erosão, para uma rede de vias para instalação e a operação desses aerogeradores durante sua vida média, que é de 30 a 40 anos. O impacto não é pontual, mas sobre todo o campo de dunas relacionado com a usina eólica. Eles constroem estradas artificialmente com material que compacta bem o solo para aguentar o peso dos veículos”, afirmou.

O professor salientou, ainda, que, além dos impactos na estrutura ecológica, existe a “lógica de dano à integridade cultural, simbólica e histórica dessas comunidades”. Meireles afirma que as comunidades são rapidamente impactadas e não estão preparadas para a chegada de 200, 300 pessoas nesses locais. O presidente da Adece, Roberto Smith, disse desconhecer impactos ambientais em instalações de usinas eólicas e afirmou que, se eles existem, cabe aos órgãos ambientais fiscalizar.

Solar

O Ceará conta atualmente com uma usina de energia solar funcionando em Tauá, a 337 Km de Fortaleza, e deve abrigar, até o fim deste ano, o maior parque de energia solar do País, com R$ 60 milhões de investimento para a instalação de uma potência de 10 megawatts (MW), em Russas (distante 168 Km da Capital), pela Kwara – empresa cearense com sócios brasileiros em São Paulo e nos EUA.

Para Gustavo Bicalho, gerente de negócios da empresa DYA-Energia Solar, única no Brasil a fabricar painéis solares, apesar de o País ainda ter que importar as células fotovoltaicas, os preços praticados no País são competitivos. “Temos uma produção de 25 MW por ano, mas o mercado hoje ainda está muito abaixo disso. Agora, com a entrada da Resolução 482, que permite a compensação de energia para micro e mini geração, o cenário vai mudar”, afirmou.

EMERSON RODRIGUES
REPÓRTER

Assessoria de comunicação

O Autor Assessoria de comunicação

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