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Instabilidade econômica prejudica engenharia

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Em fevereiro último, o pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Bruno César Pino Oliveira de Araújo, apresentou tese de doutorado à Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP) sobre as trajetórias ocupacionais de 9.041 jovens engenheiros brasileiros com carteira assinada, entre 2003 e 2012 (leia o trabalho na íntegra em http://goo.gl/WU7LeH). A faixa etária analisada foi entre 23 e 25 anos. Essas trajetórias foram comparadas às de uma geração anterior, tanto em seu período-base (1995-2002) como entre 2003-2012.

Os principais resultados mostram que as ocupações ligadas à gestão (em áreas correlatas à engenharia ou não) são as que oferecem remuneração mais alta em todos os períodos analisados; nos anos 2000, o terceiro padrão mais atrativo para os jovens daquela geração foi permanecer como engenheiro típico, caminho perseguido por praticamente metade deles, o que não se verificou na década anterior; o salário inicial subiu 24% em termos reais entre 1995 e 2003. De acordo com a pesquisa, explica Araújo, o engenheiro define sua trajetória profissional mais ou menos três anos depois de ingressar no mercado de trabalho. “Isso quer dizer que é muito difícil haver uma mudança muito brusca de ocupação.”

Esses resultados, prossegue ele, indicam que se, por um lado, houve uma revalorização dos profissionais da categoria na última década, por outro, esse quadro não trouxe engenheiros anteriormente formados a carreiras típicas. “Tal constatação, aliada à baixa demanda pelos cursos da área durante os anos 1980 e 1990, corrobora a hipótese de um hiato geracional entre os engenheiros, cobrado por volta de 2010, com o início de grandes obras de infraestrutura com o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento).” O cenário aquecido, salienta, levou em 2009 ao fenômeno de a engenharia bater, pela primeira vez, o curso de Direito em termos de número de calouros. O gap geracional na área, aponta Araújo, ocorre por conta de períodos de baixa expansão econômica. “Quando o crescimento é retomado, não se tem o número de profissionais necessários, porque não teremos uma camada com dez ou 15 anos de mercado para tocar grandes obras”, analisa. Nessas condições, ressalta, surgem situações extremas: “Temos o profissional muito antigo, o sênior, que pode ser até o dono da empresa, ou aquele que está saindo da faculdade.”

O pesquisador observa que uma característica singular do Brasil frente ao mundo e até, em certa medida, aos países latino-americanos é a volatilidade estrutural muito grande, que cria um ambiente econômico incerto que impacta diretamente a engenharia nacional. “Ou seja, crescemos muito num momento e depois vamos a zero.” Ele exemplifica: “Uma pessoa, em 2009, viu que o País estava em alta com várias obras, por isso optou por engenharia; quando ela se formou, em 2015, o cenário já era outro.”

Rosângela Ribeiro Gil – Imprensa SEESP

Texto publicado, originalmente, na seção Engenheiro XXI do Jornal do Engenheiro, nº 490, de abril de 2016

Fonte: FNE

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