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Desenvolvendo o futuro a partir dos ventos

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Sustentabilidade, provavelmente, vai ser a palavra do século. Pensar uma forma de garantir o nosso estilo de vida e desenvolvimento de forma sustentável parece ser a grande questão que tem colocado políticos, cientistas e, é claro, engenheiros para pensar incessantemente. E nessa terra de ventos tão intensos, a energia eólica parece ser uma saída das mais rentáveis, afinal, o Ceará vem atingindo, nos últimos anos, cada vez mais metas históricas.

Para entender melhor esse cenário da geração de energia por meio dos ventos, o Senge-CE conversou com o Dr. Lauro Fiuza, engenheiro cearense que é referência na área a partir do seu trabalho na Servtec. Confira:

InfoSenge: Dr. Lauro Fiuza, eu gostaria de começar conhecendo um pouco mais da sua trajetória no setor de energia.
Dr. Lauro Fiuza: Minha relação com o setor de energia veio ainda quando cursava a Faculdade de Engenharia da Universidade Federal do Ceará (UFC). Em seguida, ainda em 1969, abri com dois sócios a empresa Servtec Engenharia, sendo a pioneira no Ceará no setor de ar-condicionado central. Logo cedo, começamos a expandir nossa atuação e, aos 15 anos de existência da empresa, nos tornamos a maior deste setor no Brasil, mudando nossa sede para o Rio de Janeiro e, em seguida, para São Paulo. Ao atingir esta posição, começamos a discutir como continuar crescendo e como utilizar nossa competência em atividades paralelas à que atuamos. Foi a partir dessa discussão que chegamos à conclusão de que nosso negócio era “trabalhar com energia”, transformando um combustível, no caso a energia elétrica, em produtos com várias utilizações, como ar-condicionado, refrigeração, ventilação etc. Com a crise de energia, entramos na licitação promovida pelo Grupo de Gestão da crise e ganhamos o direito de investir na nossa primeira usina de geração. Em seguida, com o Proinfa, já iniciados nesta nova forma de atuação, agora como investidores e operadores de usinas de geração. Participamos e ganhamos o primeiro contrato de venda de energia eólica para a Eletrobras, sendo, novamente, uma pioneira neste setor e a única empresa de capital brasileiro a participar deste momento.

Sr. Lauro Fiuza Jr., presidente da Abeolica Foto: Gustavo Lourenção

IS: Como foi esse trabalho de implantar a energia eólica aqui no Nordeste?
LF: Trabalho árduo, pois a resistência dos “barrageiros” era enorme. Mas, aos poucos, fomos conseguindo mudar o pensamento de todos e, com a iniciativa do ministro Lobão, no primeiro leilão de energia, os preços alcançados já mostraram que a mudança era inevitável, e a eólica ganhou seu caminho ascendente, sendo hoje a 2ª forma de geração elétrica do Brasil.

IS: Como você analisa a atuação do Ceará na área?
LF: Desde o Proinfa, e depois os leilões, o Ceará teve atuação de destaque no setor, sendo o pioneiro e demonstrando suas condições excepcionais para a exploração da eólica. Com o exemplo do Ceará, os governadores dos outros Estados do Nordeste passaram a incentivar a ida de desenvolvedores aos seus territórios e avançaram muito, ficando o Ceará parado, perdendo sua liderança. Nos últimos anos, no entanto, com a liderança do governador Camilo Santana, o Estado mudou radicalmente sua atuação, colocando novamente o Ceará no time dos preferidos pelos investidores, tendo a parceria com o Governo como alavanca primordial ao desenvolvimento deste setor.

IS: Quais são as principais vantagens que o Ceará tem na produção de energia elétrica sustentável?
LF: Nosso ventos são unidirecionais, com velocidade alta, que em consequência dão aos parques eólicos implantados aqui um fator de capacidade de quase o dobro do alcançável na Europa. Isso tem como consequência um custo bem menor na geração de energia. Além disso, começamos a investir na geração solar. Nossos fatores de capacidade também são elevados, dando ao Estado uma capacidade enorme na geração elétrica sustentável.

IS: Como você vê o desenvolvimento de energias sustentáveis no mundo como um todo?
LF: O mundo está em transformação. Hoje a geração térmica, com o uso de combustíveis fósseis, está sendo banida no mundo inteiro, e a geração elétrica caminha para ser produzida unicamente pelos renováveis. Não é mais só uma questão de custo na produção, mas de sobrevivência do ser humano no planeta Terra. Com o avanço da tecnologia, estamos próximos de regulação para a construção dos parques híbridos, juntando no mesmo sítio a eólica e a solar, num sinergia fantástica, quer no investimento, quer na produção de energia. Por fim, a transformação do setor no Brasil abre as portas para um novo relacionamento dos consumidores com seus distribuidores, deixando o mercado bem livre, dando ao consumidor a liberdade de comprar energia de quem quiser ou de produzir sua própria energia. Isso abre as portas para a autoprodução, gerando oportunidades enormes para geração eólica e solar.

Saiba mais

O Ceará vem sendo percebido como terra fértil para investimentos nessa área. Um exemplo foi a chegada da fabricante dinamarquesa Vestas no final do ano de 2019, que instalou no Aquiraz uma fábrica para produzir turbinas V150-4.2MW, usadas na geração de energia eólica. Em agosto de 2020, a empresa fechou um acordo de produção de 93 aerogeradores para a joint venture, formada pela Votorantim Energia e pelo fundo Canada Pension Plan Investment Board (CPPIB).

Outro destaque do setor é a Aeris Energy, presente no Ceará desde 2010 e que, no dia 9 deste mês, inaugurou uma segunda unidade no Estado. A fabricante de pás para geração de energia eólica investiu R$ 70 milhões nesta nova fábrica, voltada para o mercado externo, elevando a capacidade produtiva da empresa em 30%. Em 2019, a empresa construiu a maior pá eólica do hemisfério sul do Planeta, com 74 metros de comprimento.

Assessoria de comunicação

O Autor Assessoria de comunicação

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