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Da construção de estradas ao ordenamento urbano da cidade, engenheiras cearenses fazem história com grandes feitos no estado

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Era 1962, na Universidade Federal do Ceará (UFC), quando, aos 24 anos, Aracy Furtado concluía a graduação e tornava-se a primeira engenheira civil do estado. Enfrentando preconceitos dentro da própria família – o pai achava que ela devia graduar-se em Medicina e a mãe dizia que Engenharia era coisa de “mulher-macho” –, Aracy foi a única mulher da turma. O gosto pela matemática veio cedo. Ela contou com a ajuda do pai e de um vizinho engenheiro para conseguir ser admitida na graduação.

“Eu estudava muito para tentar me destacar, ter espaço. Eu tirava muitas notas boas. Meus colegas de classe me respeitavam muito”, conta Aracy, hoje aos quase 84 anos de vida. Ela lembra que não havia espaço para namoros e até a relação com o futuro companheiro se daria pelo apreço mútuo deles pela engenharia. “O meu marido era o secretário da Escola de Engenharia. Certo dia faltou uma régua e ele não arranjou para os outros meninos, só para mim. Ali eu senti que ele tinha uma ‘queda’ por mim”, narra, entre sorrisos.

Após a graduação, Aracy trabalhou no Departamento Autônomo de Estradas e Rodagem (DAER), onde foi diretora. Foi uma das responsáveis pela obra da conhecida Estrada do Algodão (Rodovia CE-060). Depois, voltou a Escola de Engenharia como professora. Aposentada, a engenheira passa o dia pintando quadros para presentear amigos. Aos profissionais de hoje, ela indica: “É preciso estudar muito. Hoje, o profissional pode se especializar fora do País, e isso é muito bom”.

A atuação o serviço público e no sindicato

Pelo triênio de 2019 a 2022, o Sindicato dos Engenheiros do Estado do Ceará (Senge-CE) terá como presidente Teodora Ximenes e como vice Angela Maria Fechine, ambas da engenharia civil. Desde cedo atuando com política classista, Teodora foi uma das diretoras responsáveis pela conquista da sede do Senge-Ce, em 1984.

Durante esse tempo, Teodora também se dedicava a criação da Fortaleza como a conhecemos. Funcionária pública municipal por 30 anos, a engenheira se dedicava principalmente a política de uso e ocupação do solo, atual Código da Cidade, e ao tratamento de resíduos sólidos.

“Trabalhei com a questão do controle urbano e meio ambiente e o código de obras do município. A minha trajetória foi na parte de análise de projetos, tanto na área urbana como de controle ambiental. Inaugurei o primeiro incinerador de lixo hospitalar e resíduos de Fortaleza (drogas, notas do banco central, material contrabandeado). Esse foi um grande feito meu, que permanece até hoje, inclusive, servindo a outros municípios”, conta Teodora, que também foi, por três ocasiões, secretária de regionais do município.

Quarenta dias de trabalho ininterrupto pelo canal do trabalhador

Angela Fechine foi à Paraíba para estudar engenharia. Uma das únicas três mulheres da turma, composta por cerca de 60 rapazes, tinha dificuldade até para conseguir ir às aulas de campo. O pai, zeloso, só permitia se alguma outra mulher a acompanhasse. “Eu aprendi a conviver com o sexo masculino. Era minha única opção, pois só tinha eu e duas mulheres casadas na turma. E elas não saíam nem para estudar. Meu grupo de estudos sempre foi formado por homens”, relembra.

De volta a Fortaleza, foi prontamente contratada para atuar na Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece). Lá, trabalhou por 35 anos, indo desde a elaboração e execução de projetos a área administrativa, como assistente de diretores e profissional da segurança do trabalho. Dentre os trabalhos mais marcantes da carreira, ela conta como ajudou a trazer água de volta para a capital. “Foi com a obra do canal do trabalhador, Uma coisa inédita. Fortaleza ia ficar sem água. José Cândido levou essa proposta para o governador da época, que era o Ciro Gomes, e eles abarcaram essa ideia. E nós, da Cagece construímos em 40 dias de trabalho ininterrupto. Não tinha nada lá, no breu, sem luz”, remonta a engenheira.

Em 2016, uma única mulher se formava em engenharia de telecomunicações pelo IFCE

Desde o ensino médio, a Jéssica Bezerra Camarço já sabia que queria seguir pelo caminho das ciências exatas e tecnologia, só falta escolher o curso. Foi durante uma visita a Feira de Profissões da UFC que ela tomou a decisão por engenharia de telecomunicações. “Fiquei muito encantada quando vi o mundo de oportunidades que era possível com esse curso e as possibilidades de levar tecnologia para outras pessoas”, conta.

Entrou na turma de 2011.1, junto a outras cinco meninas e 30 rapazes. Ao fim do curso, em 2016, foi a única mulher da turma a receber o diploma. As primeiras experiências de trabalho vieram dentro da instituição, em seguida, ela seguiu para prestar serviço na Empresa de Tecnologia do Estado do Ceará (Etice), atuando como analista de suporte em redes e conectividade. Numa predominantemente masculina, conta ter percebido a própria capacidade profissional questionada, mas isso nunca foi motivo para desmotivação.

“Diversas vezes percebi olhares e falas duvidosas, quando o atendimento era prestado por mim, por ser mulher. Mas isso nunca me fez pensar ou duvidar da minha capacidade. Sempre acreditei que a limitação está na mente de quem julga, e não em mim, muito menos por ser mulher. Na verdade, isso me motivava a dar sempre o meu melhor e mostrar que nós, mulheres, somos igualmente capazes em todas as profissões que nos propusermos a exercer”, finaliza.

Dados do Sindicato

No SENGE-CE estão cadastradas 333 profissionais da Engenharia Civil, 35 da Engenharia Elétrica, 11 engenheiras de Segurança do Trabalho, 97 engenheiras agrônomas, 41  profissionais da Engenharia Mecânica e 41 geógrafas.

Assessoria de comunicação

O Autor Assessoria de comunicação

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