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Confronto das Ideias. O plano de concessões lançado pela presidente Dilma Rousseff será capaz de impulsionar a economia?

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Artigos publicados no Jornal OPovo em 14/06/2015

SIM

A deficiência de infraestrutura de transporte ainda é considerada um importante componente do chamado “custo Brasil”, tendo sido inclusive culpada pela baixa participação das exportações brasileiras no cenário internacional e apontada como principal fator de impedimento para a expansão da economia brasileira. Daí a grande necessidade de investimentos maciços em infraestrutura de transporte e logística para a melhoria da competitividade do Brasil.

Diante deste cenário, do momento de instabilidade econômica e de pessimismo que vivenciamos, como um dos instrumentos para suplantá-lo, o governo anuncia novo plano de concessões em infraestrutura, a 2ª etapa do Programa de Investimento em Logística (PIL). Trata-se de uma sinalização para investidores brasileiros e estrangeiros de que o Brasil tem importantes projetos de infraestrutura, em execução, como também novos projetos, que com o incremento de recursos, vão estimular a retomada da atividade econômica, acionando setores estratégicos da economia.

O plano é positivo, levando-se em consideração o valor do investimento de R$ 198,4 bilhões para as concessões de serviços de ampliação e administração de rodovias, portos, aeroportos e ferrovias, estas últimas, imprecindíveis e uma das modalidades mais eficientes e seguras para deslocamento de passageiros e de carga em grandes distâncias. Outro ponto relevante do plano de infraestrutura está na possibilidade da manutenção e alavancagem de empregos formais, inclusive de profissionais da área tecnológica, como se deu no PAC – Programa de Aceleração do Crescimento, bem como a perspectiva de interesse de pequenas e médias empresas no processo, diferentemente do PIL de 2012. Enfim, o pacote de concessões e investimentos em infraestrutura contribuirá com o resgate da confiança dos agentes econômicos e com o fortalecimento da parceria público-privada no Brasil.

Thereza Neumann 

thekafreitas@gmail.com
Presidente do Sindicato dos Engenheiros do Estado
do Ceará – Senge-CE

NÃO

De imediato podemos dizer que o impacto que o plano de concessão recentemente lançado pela presidente Dilma Rousseff traz mais estardalhaço do que crescimento econômico. Depois de o governo abrir seus sacos de maldade com o plano de ajuste econômico de elevação de juros, corte de crédito, elevação de impostos e redução de benefícios aos trabalhadores e empresas, resolveu agora distribuir seu saco de bondade. É claro que esse programa é importante para melhorar a infraestrutura e logística da economia brasileira, no entanto só funcionará se realmente houver engajamento empresarial e que os investidores acreditem na economia do país para poderem investir, o que não está ocorrendo atualmente. Os efeitos dos ajustes da economia já lançados e em andamento ainda estão por vir na maior recessão e desemprego para só no próximo ano apresentar algum resultado na redução da inflação, para poder voltar a crescer.

Esses R$ 198 bilhões anunciados dependerão da resposta dos empresários e mesmo que sejam positivos seus efeitos não serão de curto prazo, porque tendo em vista serem propostas que ainda dependerão de licitações e leilões, e alguns deles somente ocorrerão no início do próximo ano, com é o caso do aeroporto de Fortaleza e muitos estão previstos para depois do mandato da atual presidente, o que não faz sentido ela lançar como sendo propostas de seu governo. Desse valor, R$ 69,25 bilhões deverão ser aplicados entre 2015 e 2018 e o restante, R$ 129,2 bilhões, serão investidos a partir de 2019 e até o final do prazo de concessão, que varia de acordo com a obra, podendo chegar a 30 anos. Por enquanto, não será o discurso que fará a economia crescer. No curto prazo são apenas discursos e estratégia política para “limpar” o nome e tentar criar uma agenda positiva. No médio e longo prazo esse programa se implementado beneficiará o Brasil, é claro.

 Henrique Marinho 

hjmmarinho@gmail.com
Economista e professor da Unifor

Temporario

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