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Arquitetura e design sustentável ganham espaço no Brasil

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Ana Lúcia Siciliano, Marcelo Aflalo e Adriana Yazbek falam sobre o Prêmio Planeta Casa durante bate-papo mediado por Pedro Ariel, diretor de redação da Casa Claudia

 

 

 

 

 

 

 

 

Para comemorar os 10 anos de Prêmio Planeta Casa, a revista Casa Claudia e o Planeta Sustentável promoveram bate-papo com três grandes nomes da arquitetura e do design sustentável brasileiro: Marcelo Aflalo, Ana Lúcia Siciliano e Adriana Yazbek. Eles acompanharam a evolução do setor, desde a criação da iniciativa, e garantem que a sustentabilidade é uma tendência cada vez mais promissora na área.

Quando o Prêmio Planeta Casa – iniciativa da revista Casa Claudia à qual o Planeta Sustentável aderiu em 2009 – foi criado, há dez anos, o selo Procel de economia de energia e as torneiras que garantiam menos gastos com água eram as grandes promessas da arquitetura e do design sustentável no Brasil. Hoje, esses conceitos já são praticamente inerentes ao setor, que já conta com uma porção de outras novidades no ramo da sustentabilidade, provando que o tema tem ganhado visibilidade no país e promete ser uma preocupação cada vez maior entre designers, arquitetos e os próprios consumidores. 

Quem garante é Pedro Ariel, diretor de redação da Casa Claudia, que mediou o bate-papo promovido nesta quarta-feira, 13/07, pela revista e pelo nosso movimento, para comemorar os 10 anos do Prêmio Planeta Casa. A conversa contou com a presença de três grandes nomes da arquitetura e do design sustentável brasileiro – Marcelo AflaloAna Lúcia Siciliano e Adriana Yazbek -, que atuam no setor há bastante tempo e comemoram o fato de estarem encontrando cada vez menos resistência para executar projetos de sustentabilidade na área. 

“Há 10 anos, eu e muitos outros arquitetos falávamos com as paredes sobre sustentabilidade, mas finalmente a sociedade está percebendo que o modo como construímos é arcaico, do período colonial, e está abrindo os ouvidos para as novidades”, disse Marcelo Aflalo, que em 1996 chocou os profissionais do setor ao abrir mão dos tijolos e cimento e construir sua própria casa utilizando, apenas, miolo de eucalipto de reflorestamento. “No Brasil, cerca de 35% de todo o material empregado no setor da construção civil vai para o lixo. Esse desperdício, em um país que não pode se dar ao luxo de desprezar materiais, me incomodava muito. Pesquisando, descobri que o eucalipto de reflorestamento era a melhor alternativa para a construção da minha casa, de forma responsável. Esse deve ser o futuro da arquitetura: pesquisar o melhor material para cada situação, livre de qualquer preconceito, e percebo que esta mudança de percepção está acontecendo”, completou o profissional. 

A arquiteta de interiores Ana Lúcia Siciliano também acredita que a sustentabilidade está ganhando espaço no setor e atribui esse fenômeno à situação insustentável que vivemos atualmente. “É paradoxal, mas é isso mesmo: olhamos para o mundo hoje e vemos uma situação tão feia que, finalmente, estamos dispostos a reinventar a forma de construir e decorar para tentar mudar essa realidade. Estamos repensando valores”, afirmou Siciliano, que acredita que os projetos sustentáveis, além de serem menos impactantes, devem “conversar com o entorno”, para disseminar cada vez mais os princípios da sustentabilidade. “Trabalhei no projeto da Passarela Verde, da Avenida Eusébio Matoso, em SP, e, além de usar técnicas e materiais mais ecológicos, colocamos placas informativas em toda a construção, para comunicar a sustentabilidade às pessoas que passam por lá todos os dias”. 

A designer Adriana Yazbek, que cria móveis e objetos a partir dos conceitos dareciclagem e reutilização de materiais, tenta incorporar as questões sociais aos seus trabalhos, como sugere Siciliano. Um dos projetos de que Yazbek mais tem orgulho, o Boracea, redecorou um abrigo do governo para moradores de rua, com a ajuda dos próprios alberguistas – e inclusive foi um dos ganhadores do Prêmio Planeta Casa 2008 (saiba mais em Vencedores do Prêmio Planeta Casa 2008). “Fizemos, por exemplo, cômodas com madeira usada e cortinas de restos de tecido e fundos de marmitex, para serem usadas como biombos entre as camas. A iniciativa diminuiu as brigas no abrigo e também a depredação. Parece que os alberguistas ficam mais motivados a cuidar do espaço, porque ele está mais bonito”, contou Yazbek. 

O projeto Boracea ainda implantou no abrigo público uma oficina de criação de objetos com jornal, que capacita os moradores de rua e oferece oportunidades degeração de renda. “O único problema é que as pessoas ainda têm muito preconceito com a reciclagem. Acham as peças lindas, mas não querem pagar o que valem, porque vieram do lixo. Esquecem de levar em conta o trabalho artesanal e a criatividade. Esse é um aspecto que já avançou, mas ainda precisa melhorar muito no setor do design sustentável”, destacou a artista. 

Quando o assunto é sustentabilidade, os avanços da arquitetura e do design no Brasil são incontestáveis, mas os especialistas são unânimes ao dizer que ainda precisam ser feitos muitos avanços no setor. “Estamos vendo sementes florescerem em todo o Brasil, mas ainda há muito chão pela frente. O problema é que o processo é lento e a necessidade de mudança, urgente. Só vamos conseguir, se nos unirmos pela causa. Afinal, sustentabilidade é isso: trabalho em comunidade”, finalizou a arquiteta Ana Lúcia Siciliano. 

As inscrições para o Prêmio Planeta Casa deste ano podem ser feitas até a próxima sexta-feira, 15 de julho. 

 

 

 

Fonte: http://planetasustentavel.abril.com.br

 

 

Assessoria de comunicação

O Autor Assessoria de comunicação

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