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Meio Ambiente

Após previsão da Funceme, Estado planeja ações para enfrentar 5º ano de seca no CE

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Açude Arrojado Lisboa, de Banabuiú; Reservatório tem capacidade para mais de 1 bi e 600 milhões de m³ e atualmente está com apenas 0,51% (Foto: arquivo da Escola Raul Urquide-Banabuiú)

Apostar na transposição do rio São Francisco chegando ao Ceará. Racionalizar o consumo da pouca água que o Ceará ainda tem nos reservatórios — na casa dos 11% do volume total. Dar continuidade e intensificar ações de perfurar e instalar poços, montar adutoras e enviar carros-pipa. São algumas propostas do Governo do Estado para conviver com um provável quinto ano de estiagem. E 2016 traz ainda o desafio de pensar alternativas para dessalinizar a água do mar pela primeira vez em larga escala no Ceará.

A chance de chuvas no Estado abaixo da média histórica é de 65% para os meses de fevereiro, março e abril. São 25% de chances para um volume em torno da média e apenas 10% para boas chuvas, superando 587,1 milímetros. O prognóstico do início da quadra chuvosa foi divulgado, na manhã de ontem, pela Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme), em entrevista coletiva no Palácio da Abolição. Se as chuvas forem realmente fracas, o Ceará terá a seca mais prolongada dos últimos 32 anos.

Dessalinizar

Em reunião com a Secretaria dos Recursos Hídricos (SRH), o governador Camilo Santana (PT) pediu à pasta o estudo de alternativas para dessalinizar a água do mar em grande escala, abrangendo possivelmente o Porto do Pecém, Fortaleza e municípios do litoral. A informação foi dada durante o evento, pelo chefe de gabinete do governador, Élcio Batista. Dedé Teixeira, titular da SRH, destacou que a fase atual é de pesquisar qual tecnologia adotar e quem investirá no projeto.

A tarefa é buscar equilíbrio entre o preço da água a ser ofertada e um baixo custo energético. O gasto excessivo de energia é um dos entraves para usar o modelo de dessalinização adotado em Israel e nos Estados Unidos. “Nós passamos 2015 recebendo visita de vários empreendedores nesta área. Estão surgindo novas tecnologias”, disse o secretário.

Complementar à ideia da dessalinização, o Estado também aguarda estudos para o reuso da água. A intenção é tratar a água residual do esgoto e ofertar para indústria, com pesquisas em andamento na Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece).

Ainda conforme Teixeira, a gestão da água será pensada com base no pior cenário possível. Ou seja, mais estiagem e nenhum aporte nos açudes. No entanto, o planejamento seguirá a dinâmica das chuvas no primeiro semestre. Tauá e Arneiroz, por exemplo, são municípios favorecidos pelas chuvas de janeiro, na pré-estação.

Para o segundo semestre, período mais crítico pela ausência das chuvas, uma grande aposta é a transposição do rio São Francisco. Os gestores cearenses acompanham de perto a promessa do Governo Federal de entregar a obra até julho deste ano, garantindo segurança hídrica para cerca de 70% dos habitantes do Estado.

ARTE CEARA DE SECAS
Arte: Assessoria de Imprensa do Senge-CE (Dados: Funceme)


Conscientização

As campanhas de uso racional da água devem voltar às emissoras de rádio e TV para chamar a população a economizar. O Governo ainda não fechou os cálculos para verificar se o índice de 10% na redução do consumo, proposto no ano passado, foi alcançado.

Outras ações

Para 2016, o governador Camilo Santana autorizou a aquisição de 19 máquinas para a perfuração de poços profundos. Em 2015, foram 1.200 poços perfurados e 450 poços existentes instalados no Ceará.

São 200 quilômetros de adutoras de montagem rápida iniciadas em 2015, algumas com previsão de entrega para este ano. Dentre elas, estão as de Arneiroz e de Alto Santo. Outro exemplo é Quixeramobim, que deve ter adutora inaugurada antes do Carnaval, conforme o secretário.

SAIBA MAIS
Se em janeiro está chovendo tanto, porque 2016 vai ser de seca?

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Tempo chuvoso em Milhã, município do sertão central (Foto: reprodução/Facebook)

As chuvas de pré-estação, apesar de animadoras, não têm relação com a quadra chuvosa, frisou a Funceme. São sistemas diferentes atuando na formação de nuvens de chuva sobre o Ceará. Até fevereiro, o sistema Vórtices Ciclônicos de Altos Níveis (VCAN) podem influenciar nas precipitações. Mas o sistema principal da quadra chuvosa, entre fevereiro e maio, é a Zona de Convergência Intertropical (ZCIT).

Chover bem em janeiro não determina um ano de chuvas acima da média. Como exemplos, os anos de 1983 e 1998. O primeiro teve forte presença do El Niño na quadra chuvosa, com precipitações de janeiro abaixo da média em 86%. 1998 foi outro ano de seca, mas teve um janeiro de chuvas 30% acima da média.

 

Fonte: jornal O Povo

 

 

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