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Na última semana, correu o mundo e foi assunto em diversas publicações em português a notícia da mudança de local de um antigo templo budista de Xanga, na China, o Buda de Jade. O pavilhão Mahavira, parte principal da estrutura construída em 1882, com todas as estátuas históricas no interior, foi deslocado em 30,4 metros na direção norte das fundações originais, em um período de 15 dias.

Embora espantosa, a operação de transferência de grandes e antigas construções é muito mais dispendiosa do que inédita. Templos e edifícios históricos já foram transportados até de um continente a outro, para museus nos Estados Unidos, como foi o exemplo die uma residência do século XVIII,  a Yin Yu Tang , transferida da provincia de Anhui, na China, para um museu de Salem, em Massachussetts, no final do século XX. Naquele caso, a casa foi toda desmontada, empacotada e despachada por navio, para remontagem na área do museu.

O procedimento de mudança em distâncias menores e em terra firme tem uma sequência relativamente simples de entender  – erguer e fazer deslizar a construção metros adiante sobre trilhos- embora de execução arriscada, dada a idade e o porte do templo e a tecnologia empregada à época de sua construção. Cálculos estruturais determinam a quantidade, tamanho, potência, posicionamento e operação dos enormes macacos hidráulicos que retiram a estrutura toda do chão, sem provocar abalos. Para assegurar estabilidade do prédio, suas bases são reforçadas com concreto. Para dar suporte ao deslocamento, trilhos do mesmo concreto são construídos até o novo local.

O que mais espanta, na China, é a quantidade de templos e construções que já mudaram de lugar nas últimas décadas.

Em 2001, o edifício Jinlun Guild Assembly Hall, construido no início do século XVII, foi deslocado em 80.4 metros para dar lugar à passagem de uma estrada ligando sul e norte do distrito de Liwan. Em 2003, o Shanghai Concert Hall foi avançando por etapas, 68 metros além, enquanto suas novas fundações eram construidas . Também para sair do meio de uma via em construção. E outros foram transferidos por direferentes motivos, geralmente para evitar a demolição. O prédio Hankou Yiyong Fire Association, erguido por voluntários locais de combate a incêndios há cerca de 100 anos, deslizou por 90 metros sobre trilhos .

A indústria de deslocamento de monumento históricos foi estimulada por uma inimaginável mas bem sucedida experiência do Egito, em 1964, quando o governo decidiu empurrar os templos de Abu Simbel , com 3,200 anos, por 200 metros, para permitir a construção da usina de Aswan.

Os motivos alegados para a realocação do templo, concluída no domingo (17), foi o risco de incêndio representado pelo aumento da população e portanto das visitações diárias, que incluem o depósito, no local, de feixes de incenso acesos tradicionais nos cultos budistas. Em uma década, a população dobrou na China, chegando a 771 milhões em 2016.  Em muitos casos, o crescimento urbano avançou sobre locais históricos, ameaçando a estabilidade dos edifícios. As visitas ao templo budista são hoje, em média, de duas mil pessoas por dia, todas deixando seus feixes de incenso incandescentes,. Com a mudança, foi assegurado local mais adequado para a prática.

A expectativa agora é que a frequência em mudar monumentos de lá pra cá arrefeça na China. Em parte porque os órgão de arquitetura chineses estão recomendando priorizar a preservação das construções em seus locais de origem. E também porque, ante o enorme avanço demográfico e passado o boom econômico das últimas décadas, os gastos vultosos com as operações podem ter outras destinações.

 

Rita Freire com informações da Jornal do Povo – China, iBBC, CNN, e agências

 

Assessoria de comunicação

O Autor Assessoria de comunicação

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